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TECNÓLOGO: Conheça a realidade desse profissional

Cursos atendem às necessidades do mercado?

 

por Caco Cardoso

O nome tecnólogo lhe diz alguma coisa? Pois ele é um profissional graduado, de nível superior, classificado como liberal. O aluno de um curso de área tecnológica é preparado diretamente para executar as tarefas da profissão. Por isso, o currículo é montado em caráter intensivo e terminal. O curso, além de ser de menor duração, é auto-suficiente e não necessita de complementação obrigatória.

De acordo com o Artigo 3º do Decreto 2208 de 17 de abril de 1997, o nível "tecnológico" da educação profissional
"corresponde a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico". Ou seja, para neles ingressar, o aluno deve ter concluído o Ensino Médio ou seu equivalente em curso técnico. Os Cursos Superiores de Tecnologia são estruturados para atender aos diverso setores da economia, abrangendo campos especializados, e conferem ao aluno o diploma de tecnólogo.

Quem se formar tecnólogo pode fazer curso de pós-graduação latu senso, de especialização, e strictu sensu, mestrado e doutorado. As principais instituições de ensino superior, como Unicamp e USP, aceitam-no em tais modalidades há mais ou menos cinco anos, de acordo com Décio Moreira, presidente do Sindicato dos Tecnólogos de São Paulo (SINTESP).

Segundo Moreira, tecnólogo em construção civil, o profissional encontra o seu espaço no mercado de trabalho, mas com algumas restrições. Parte delas se deve às próprias atribuições da profissão, que não é regulamentada, embora a grande maioria dos cursos seja reconhecida pelo MEC. Os entraves acontecem em alguns pontos e principalmente em algumas modalidades.

O tecnólogo que atua na área de construção civil, por exemplo, não pode sair de sua modalidade, ou seja, cuidar da parte elétrica ou hidráulica de uma obra, o que um engenheiro civil poderia. Se ele for empregado em uma empresa de construção civil não há maiores complicações, pois nesse caso atividades como consultoria, projeto e responsabilidade técnica estarão a cargo de engenheiros. Mas quando o profissional resolve trabalhar como autônomo, encontra restrições nessas atividades.

"Se o tecnólogo quiser atuar no projeto ou ficar responsável pela obra, ele terá dificuldades em conseguir o aval da prefeitura porque o CREA, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, não o reconhece como profissional capacitado a exercer essas atividades", diz Moreira. Para prosseguir com seus trabalhos, alguns tecnólogos têm acionado a justiça e conseguido a autorização. Ainda segundo o presidente do SINTESP, problemas como esse ocorrem principalmente na área
das engenharias e arquitetura. Já nas áreas de saúde e informática, e na maioria das outras, o tecnólogo não tem dificuldades em exercer a profissão.

Existem vários cursos na área tecnológica, assim como várias instituições que os oferecem. Geralmente eles têm duração menor que os cursos de bacharelado, de dois a três anos. Ainda não há currículo mínimo ou carga horária estipulados, mas o sindicato quer estabelecer o número de 2.400 horas. Quanto ao reconhecimento pelo MEC, Moreira diz que o futuro aluno deve verificar se ambos, curso e instituição, estão credenciados.
 

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