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A Internet é uma rede
global de computadores que se comunicam através da linha telefônica.
Quando você se conecta com um site da web, você está conectado com a
Internet. Essa rede tem em comum um conjunto de protocolos e
serviços, de forma que os usuários a ela conectados podem usufruir
de serviços de informação e comunicação de alcance mundial.
É como
usar o sistema telefônico internacional ; ninguém é dono ou
controla o sistema como um todo, mas as conexões são feitas de tal
maneira que ele funciona como uma grande rede.
Para quem conhece a
Internet há menos de cinco anos, sua história poderá parecer
surpreendente. Quem viveu nos momentos dos seus primeiros anos não
poderia imaginar no que ela poderia se transformar. Os motivos do
seu surgimento também estavam bem longe da vocação comercial que a
Rede assumiu ao longo dos últimos anos.
Segundo o eGlobal Report, num estudo sobre a Internet realizado pelo
instituto de pesquisas eMarketer, em julho de
2001, 229,8 milhões de pessoas no mundo é atualmente usuária
ativa de Internet. De acordo com o levantamento realizado, esse
número deve saltar para 640 milhões de pessoas até 2004, o que irá
representar 14% da população acima de 14 anos. O levantamento
classifica como usuário adulto ativo de Internet a pessoa que passa
pelo menos uma hora por semana conectada à rede mundial de
computadores e tem mais de 14 anos.
Para compreender todas
essas mudanças, é preciso voltar um pouco no
tempo. surgiu no final da década de cinqüenta, no auge da Guerra
Fria. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos cria a ARPA -
Advanced Research Projects Agency.
1.2. Histórico da Internet
O que hoje chamamos de
Internet, surgiu a partir de um projeto da agência
norte-americana ARPA (Advanced Research and Projects Agency) com o
objetvo de conectar os computadores dos seus departamentos de
pesquisa. Essa conexão iniciou-se em 1969, entre 4 localidades
(Universidades da Califórnia, de Los Angeles e Santa Barbara,
Universidade de Utah e Instituto de Pesquisa de Stanford), e passou
a ser conhecida como a ARPANET.
Sua função era liderar as
pesquisas de ciência e tecnologia aplicáveis às forças armadas e um
dos objetivos era o de desenvolver um meio de compartilhar
informações, sem o inconveniente da distância física, nem o risco de
se perder dados e informações de um terminal destruído, em caso de
combate.
Esse projeto inicial foi colocado a disposição de pesquisadores, o
que resultou em uma intensa atividade de pesquisa durante a década
de 70, cujo principal resultado foi a concepção do conjunto de
protocolos que até hoje é a base da Internet, conhecido como TCP/IP.
No início da década de 80 a ARPA iniciou a integração das redes de
computadores dos outros centros de pesquisa à ARPANET; nessa mesma
época foi feita na Universidade da Califórnia de Berkeley, a
implantação dos protocolos TCP/IP no Sist. Operacional UNIX, o que
possibilitou a integração de várias universidades à ARPANET.
Em 1985, a entidade americana NSF (National Science Foundation)
interligou os supercomputadores de seus centros de pesquisa, o que
resultou na rede conhecida como NSFNET, que em 1986 foi conectada à
ARPANET.
O conjunto de todos os computadores e redes ligados a esses dois
banckbones (espinhas dorsais de uma rede) passou a ser conhecido
oficialmente como Internet.
Em 1988 a NSFNET passou a ser mantida com o apoio das organizações
IBM, MCI(empresa de telecomunicações) e MERIT (instituição
responsável por uma rede de computadores de instituições
educacionais de Michigan), que formaram uma associação conhecida
como ANS(Advanced Network and Services).
Em 1990 o backbone ARPANET foi desativado, criando-se em seu lugar o
backbone DRI(Defense Research Internet).
Em 1991/1992 a ANS desenvolveu um novo backbone, conhecido como
ANSNET, que passou a ser o backbone principal da Internet; nessa
mesma época iniciou-se o desenvolvimento de um backbone europeu (Ebone),
interligando alguns países da Europa à Internet.
A partir de 1993 a Internet deixou de ser uma instituição de
natureza apenas acadêmica e passou a ser explorada comercialmente,
tanto para a construção de novos backbones por empresas privadas
(PSI, Uunet, Sprint,...) como para fornecimento de serviços
diversos, abertura essa a nível mundial.
1.3. A Internet no Brasil
A Internet chegou ao Brasil em 1988 por iniciativa da comunidade
acadêmica de São Paulo (FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo), Rio de Janeiro (UFRJ- Universidade Federal do
Rio de Janeiro) e LNCC (Laboratório Nacional de Computação
Científica).
Em 1989 foi criada, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a Rede
Nacional de Pesquisas (RNP), uma instituição com os objetivos de
iniciar e coordenar a disponibilização de serviços de acesso à
Internet no Brasil; como ponto de partida foi criado um backbone
conhecido como o backbone RNP, interligando instituições
educacionais à Internet.
Esse backbone inicialmente interligava 11 estados a partir de Pontos
de Presença (POP - Point of Presence) em suas capitais.
Ligados a esses pontos foram criados alguns backbones regionais, a
fim de integrar instituições de outras cidades à Internet; como
exemplos desses backbones temos em São Paulo a ANSP (Academic
Network at São Paulo) e no Rio de Janeiro a Rede Rio.
Mas o Brasil experimentou mesmo o acesso à Internet em 1990,
graças a uma iniciativa do MCT que criou um programa de implantação
da estrutura da Internet Brasileira, a RNP (Rede Nacional de
Pesquisa).
Além do surgimento de empresas
como a Netscape, as tradicionais empresas de informática voltaram
seus olhos para esse novo mercado. Algumas mais rapidamente, como a
Sun Microsystems, Inc. , cheia de inovações para a Web, como a
linguagem JAVA, ou a Cisco Systems, Inc. , produzindo um dos
principais equipamentos utilizados na Internet, os roteadores, que
muito ajudaram a rápida expansão da Rede. Outras empresas foram mais
lentas, como a gigante Microsoft Corporation . Bill Gates, seu
fundador e ex-presidente, chegou a chamar a Internet de "uma bagunça
sem real potencial de negócios".
Agora, no início do século 21,
a Internet mantém taxas de crescimento altíssimas e novos negócios
surgem a cada momento. O que é novidade hoje, amanhã poderá ser
apenas uma lembrança ou tornar-se uma idéia bem sucedida que foi
aperfeiçoada e adaptada à rotina da Rede. É muito difícil se prever
exatamente como será o futuro da Internet, mas uma coisa é certa: a
Rede terá um impacto cada vez maior na sociedade, em todo o mundo e
hoje, para a maioria das empresas
A exploração comercial da Internet foi iniciada
em dezembro de 1994 a partir de um projeto-piloto da Embratel, onde
foram permitidos acessos à Internet inicialmente através de linhas
discadas, e posteriormente (Abril/1995) através de acessos dedicados
via Renpac ou linhas E1.
Em paralelo a isso, a partir de abril/1995 foi iniciado pela RNP um
processo para a implantação comercial da Internet no Brasil, com uma
série de etapas, entre as quais a ampliação do backbone RNP no que
se refere a velocidade e número de POP’s; esse backbone a partir de
então passou a se chamar Internet/BR.
Uma primeira etapa de expansão desse backbone foi concluída em
dezembro/1995, restando ainda a criação de POP’s em mais estados;
além disso, algumas empresas (IBM, UNISYS, Banco Rural) anunciaram
ainda para este ano (1996) a inauguração de backbones próprios.
2. ADMINISTRAÇÃO DA INTERNET
Muito se fala sobre a Internet e a tendência das pessoas é
imaginá-la como uma empresa, mas essa primeira impressão está
bastante longe da realidade. De início, ressaltamos o que, a nosso
ver, é o mais interessante e democrático na Internet: ela não é uma
empresa e também não tem um "dono". O que ela é então? Se não tem
dono, quem manda e toma conta? Vejamos então:
A Internet é, na
verdade, um conjunto de milhares de computadores, utilizados por
pessoas e instituições, interligados. Esses computadores trocam
informações entre si por todo o globo terrestre. Uma analogia
interessante, e por isso mesmo muito usada, é: "A Internet é um
mundo virtual". A motivação para que esse mundo virtual exista e
continue crescendo vem de todas as partes envolvidas e a organização
necessária para isso é mantida por dezenas de instituições e
comitês, criados pelos usuários e governos com essa finalidade.
Há muita liberdade na
Rede. Porém, algum nível de organização precisa existir para evitar
o caos. Para isso, existem vários órgãos e comitês dedicados a
manter a ordem no que já existe e, principalmente, no que ainda virá
a ser criado na Rede.
O mais importante para se
entender é que esses órgãos e comitês, na maior parte das vezes, têm
seu poder dado pela própria comunidade da Internet, de onde também
vêm seus membros. Algumas dessas instituições são oficiais, criadas
por governos.
2.1. No mundo
Tanto a administração quanto a operação da Internet são
descentralizadas, sendo que apenas algumas tarefas não o são, tais
como a coordenação das pesquisas e padrões para funcionamento da
rede, e distribuição de endereços e registros de domínios para
interligação à essa rede.
As principais instituições responsáveis por essas tarefas são:
» The Internet Society ( ISOC ): através de fórums, debates e
publicações, procura orientar a pesquisa e utilização da Internet.
A ISOC (Internet Society) surgiu recentemente para, dentre outras
atribuições, coordenar todo o processo de padronização na Internet.
Para entender como a ISOC funciona, é necessário analisar suas
forças-tarefa, como a IETF.
» The Internet Architecture Board ( IAB ): fundado em 1983 como
Internet Activities Board, e integrado à Internet Society em 1992,
coordena toda a pesquisa e desenvolvimento envolvidos no
funcionamento da Internet, coordenando duas frentes de trabalho, que
são os grupos de pesquisadores voluntários IETF e IRTF.
» The Internet Research Task Force ( IRTF ): grupo formado com o
objetivo de desenvolver pesquisas a longo prazo referentes ao
funcionamento da Internet.
» The Internet Engineering Task Force ( IETF ): grupos de
pesquisadores e técnicos responsáveis pelo desenvolvimento de
padrões para funcionamento da Internet; desses grupos surgem os
documentos conhecidos como RFC’s (Request For Comments), que, embora
tenham sido criados apenas como propostas para padronização, na
prática tornaram-se os padrões oficiais da Internet.
O órgão responsável por construir os padrões da Internet, como o
endereçamento IP, é a IETF (Internet Engineering Task Force).
Através de grupos de trabalho criados para cada assunto específico,
a IETF desenvolve e testa as novas teorias com seus engenheiros,
projetistas e demais membros. Após algum tempo, que pode variar
entre semanas e muitos meses, o grupo de trabalho pode lançar uma
RFC (Request for Comments).
» The Internet Assigned Numbers Authority ( IANA ): mantido pelo
Instituto de Ciência e Informação da Universidade do Sul da
Califórnia, controla a distribuição de identificadores para serviços
a serem fornecidos via Internet.
A IANA, pouco falada até agora, também é responsável pela
organização dos nomes de domínio e seus respectivos endereços IP.
Porém, ela delegou essa responsabilidade a outras organizações ao
redor do mundo, as quais podem ser mais eficientes, por estarem mais
próximas e mais concentradas nos usuários desses serviços.
» The Internet Network
Information Center ( InterNIC ): composto por 3 instituições (AT&T,
PSI e General Atomics) centraliza a distribuição de informações da
Internet Society (RFC’s,...), além de coordenar a distribuição de
endereços e registros de domínio para provedores a nível mundial.
Qualquer entidade que deseje registrar um domínio nos Estados Unidos
deve procurá-la. A pessoa ou empresa interessada deve ir na página
da InterNIC e fazer primeiro uma pesquisa para saber se o domínio
pretendido já foi registrado. Em caso negativo, deve pedir para o
seu provedor de presença um endereço IP e fornecê-lo no ato do
registro. Deve também estar preparado para pagar uma taxa de
inscrição e posteriormente outra de manutenção, paga anualmente.
Cada país oficialmente conectado à Internet tem
um órgão similar à InterNIC. Cada um cuida do registro de nomes de
domínios no seu território de forma similar à descrita acima, mas
com ajustes para as leis e a realidade de cada região.
2.2. No Brasil
A Internet não conhece fronteiras e a maior parte de seus
padrões são internacionais. Apenas poucos aspectos da Rede precisam
ser adaptados para determinadas regiões do mundo. Neste artigo, são
descritos aspectos da Internet específicos para o Brasil.
O primeiro planeja a
evolução da infra-estrutura e dos serviços Internet no Brasil
através de estudos, recomendações e propostas de padrões para
protocolos e serviços, além de desenvolver os procedimentos para a
alocação de endereços IP e registro de domínios para qualquer
instituição solicitante no país. O segundo grupo pretende dotar a
Internet brasileira de instrumentos para que ela seja
auto-sustentável sem desviar de seus objetivos primordiais. O
terceiro, como o nome já diz, trabalha pela segurança de todas as
linhas de transmissão da Internet.
Como se vê, o Comitê
Gestor faz no Brasil o equivalente ao que vários órgãos fazem
internacionalmente, além do trabalho de adaptar à nossa estrutura e
às nossas leis as práticas da Internet.
Para uma de suas
responsabilidades, o registro e a manutenção de domínios, o CG
designou a FAPESP . Qualquer pessoa, empresa ou instituição que
deseje ter seu próprio domínio no Brasil deve registrá-lo no site .
As principais entidades
da Internet no Brasil são o Comitê Gestor (CG) e a FAPESP (Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Como já visto, ao
primeiro cabe recomendar as regras gerais da Internet no país,
enquanto que, ao segundo, a tarefa de registrar e administrar os
nomes de domínio.
Quando o CG foi criado,
tomou-se o cuidado de haver representatividade da sociedade entre
seus membros. Sendo assim, cada um deles é representante de um
segmento importante da sociedade em relação à Internet. Seus membros
representam: o Ministério da Ciência e Tecnologia; a Comunidade de
Usuários; o antigo Sistema Telebrás; o CNPq; a comunidade acadêmica;
os Provedores de Serviços; a comunidade empresarial e o Ministério
das Comunicações.
Assim como seus equivalentes internacionais, o CG
organiza Grupos de Trabalho para resolver e implementar questões
técnicas da Internet no Brasil. Em 1998, contava com três desses
grupos, dedicados à "Engenharia e Operação de Redes", "Economia de
Redes" e "Segurança de Redes".
A
missão do Comitê Gestor, segundo o próprio, é:
-
Fomentar o desenvolvimento dos serviços
Internet no Brasil;
-
Recomendar padrões e procedimentos técnicos e
operacionais para a Internet no Brasil;
-
Coordenar a atribuição de endereços Internet, o
registro de nomes de domínios, e a interconexão de espinhas
dorsais;
Coletar, organizar e disseminar informações sobre
os serviços Internet.
A nível de redes, a RNP administra o backbone
Internet/BR, através do Centro de Operações da Internet/BR; as redes
ligadas a esse backbone são administradas por instituições locais,
por exemplo a FAPESP, em São Paulo.
Ligado à RNP existe ainda o Centro de Informações da Internet/BR,
cujo objetivo principal é o de coletar e disponibilizar informações
e produtos de domínio público, a fim de auxiliar a implantação e
conexão à Internet de redes locais.
Para
se ter uma idéia do movimento nesse setor, vamos a algumas
estatísticas levantadas em setembro de 1998:
-
Existem 56.977 domínios registrados no Brasil
(com final ".br");
-
91,79% deles são do tipo (top-level) "com.br";
-
Em poucos meses de atividade, os novos domínios
para profissionais liberais somam 837, que equivale a 1,47% do
total;
-
Nesse período 139 médicos já registraram seus
domínios, e apenas 3 veterinários;
A média diária de novos domínios registrados é de
150.
É bom que se diga que, em uma rápida visita à
FAPESP, pode-se notar que seu sistema nada deve em eficiência aos
seus equivalentes internacionais.
De acordo com estudo da Jupiter Media Metrix (julho
de 2001), o número total de internautas no Brasil foi de
5,86 milhões nos dez principais mercados metropolitanos. O número
ficou um pouco abaixo dos 5,87 milhões assinalados em maio de 2000.
Já no ranking dos domínios mais visitados, o UOL permanece na
primeira posição, com 78,7%, seguido da Microsoft Sites (62,2%), AOL
Time Warner Network (58,2%) e Starmedia Network (46,9%). No ranking
de domínios e aplicativos de mídia digital, que considera os
endereços na Internet mais acessados, o ICQ Applications saltou
quatro posições, chegando ao terceiro lugar, com 43,9%. No entanto,
o UOL manteve sua liderança também nesse ranking, alcançando 65,8%
da audiência, seguido pelo BOL (46,5%), ICQ (43,9%), MSN (42,9%) e
HpG (41,7%) .
2.3. Como Funciona o Sistema
Cada país "plugado" na Internet deve ser responsável pela sua
própria estrutura física de comunicação. Esta estrutura é chamada de
espinha dorsal da Internet, ou backbone. O backbone possui vários
pontos de presença. Em cada um destes pontos, ligam-se computadores,
os "nós" da rede, com a finalidade de prover acesso à rede para o
usuário final.
A
informação trafega pela Internet sob forma de pacotes de dados.
Assim, toda vez que uma mensagem eletrônica é enviada de um usuário
a outro, esta mensagem é quebrada em vários pacotes que se
reencontrarão apenas no destinatário, ainda que tenham seguido por
vias diferentes, num sistema conhecido como comutação de pacotes.
A
comunicação entre os milhões de computadores que compõem a Internet
apenas é possível por que todos eles "falam" a mesma língua, o mesmo
protocolo de comunicação. Este protocolo é o TCP/IP (Transmission
Control Protocol/Internet Protocol), como já vimos. Qualquer
aplicação para a Internet deve ser desenvolvida sobre esta
tecnologia.
Os "lugares" na Internet são nomeados de forma única, isto é, não
existem endereços (domínios) duplicados. Assim, o nome de um
computador ligado à rede identifica precisamente sua localização:
nib.unicamp.br
é um computador, um "nó" da
rede, situado no Núcleo de Informática Biomédica, dentro da Unicamp,
no Brasil. E todos os usuários de correio eletrônico deste
computador serão identificados padronizadamente com o nome de sua
conta (login) + o nome do computador (domínio), estando em qualquer
lugar do mundo:
mjager@nib.unicamp.br |