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Muito se fala sobre a
Internet e a tendência das pessoas é imaginá-la como
uma empresa, mas essa primeira impressão está bastante
longe da realidade. De início, ressaltamos o que, a
nosso ver, é o mais interessante e democrático na
Internet: ela não é uma empresa e também não tem um
"dono". O que ela é então? Se não tem dono, quem manda
e toma conta? Vejamos então:
A Internet é, na verdade, um
conjunto de milhares de computadores, utilizados por
pessoas e instituições, interligados. Esses
computadores trocam informações entre si por todo o
globo terrestre. Uma analogia interessante, e por isso
mesmo muito usada, é: "A Internet é um mundo virtual".
A motivação para que esse mundo virtual exista e
continue crescendo vem de todas as partes envolvidas e
a organização necessária para isso é mantida por
dezenas de instituições e comitês, criados pelos
usuários e governos com essa finalidade.
Há muita liberdade na Rede.
Porém, algum nível de organização precisa existir para
evitar o caos. Para isso, existem vários órgãos e
comitês dedicados a manter a ordem no que já existe e,
principalmente, no que ainda virá a ser criado na
Rede.
O mais importante para se
entender é que esses órgãos e comitês, na maior parte
das vezes, têm seu poder dado pela própria comunidade
da Internet, de onde também vêm seus membros. Algumas
dessas instituições são oficiais, criadas por
governos.
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Tanto a administração quanto
a operação da Internet são descentralizadas, sendo que
apenas algumas tarefas não o são, tais como a
coordenação das pesquisas e padrões para funcionamento
da rede, e distribuição de endereços e registros de
domínios para interligação à essa rede.
As principais instituições responsáveis por essas
tarefas são:
» The Internet Society ( ISOC ): através de fórums,
debates e publicações, procura orientar a pesquisa e
utilização da Internet.
A ISOC (Internet Society) surgiu recentemente para,
dentre outras atribuições, coordenar todo o processo
de padronização na Internet. Para entender como a ISOC
funciona, é necessário analisar suas forças-tarefa,
como a IETF.
» The Internet Architecture Board ( IAB ): fundado em
1983 como Internet Activities Board, e integrado à
Internet Society em 1992, coordena toda a pesquisa e
desenvolvimento envolvidos no funcionamento da
Internet, coordenando duas frentes de trabalho, que
são os grupos de pesquisadores voluntários IETF e IRTF.
» The Internet Research Task Force ( IRTF ): grupo
formado com o objetivo de desenvolver pesquisas a
longo prazo referentes ao funcionamento da Internet.
» The Internet Engineering Task Force ( IETF ): grupos
de pesquisadores e técnicos responsáveis pelo
desenvolvimento de padrões para funcionamento da
Internet; desses grupos surgem os documentos
conhecidos como RFC’s (Request For Comments), que,
embora tenham sido criados apenas como propostas para
padronização, na prática tornaram-se os padrões
oficiais da Internet.
O órgão responsável por construir os padrões da
Internet, como o endereçamento IP, é a IETF (Internet
Engineering Task Force). Através de grupos de trabalho
criados para cada assunto específico, a IETF
desenvolve e testa as novas teorias com seus
engenheiros, projetistas e demais membros. Após algum
tempo, que pode variar entre semanas e muitos meses, o
grupo de trabalho pode lançar uma RFC (Request for
Comments).
» The Internet Assigned Numbers Authority ( IANA ):
mantido pelo Instituto de Ciência e Informação da
Universidade do Sul da Califórnia, controla a
distribuição de identificadores para serviços a serem
fornecidos via Internet.
A IANA, pouco falada até agora, também é responsável
pela organização dos nomes de domínio e seus
respectivos endereços IP. Porém, ela delegou essa
responsabilidade a outras organizações ao redor do
mundo, as quais podem ser mais eficientes, por estarem
mais próximas e mais concentradas nos usuários desses
serviços.
» The Internet Network
Information Center ( InterNIC ): composto por 3
instituições (AT&T, PSI e General Atomics) centraliza
a distribuição de informações da Internet Society (RFC’s,...),
além de coordenar a distribuição de endereços e
registros de domínio para provedores a nível mundial.
Qualquer entidade que deseje registrar um domínio nos
Estados Unidos deve procurá-la. A pessoa ou empresa
interessada deve ir na página da InterNIC e fazer
primeiro uma pesquisa para saber se o domínio
pretendido já foi registrado. Em caso negativo, deve
pedir para o seu provedor de presença um endereço IP e
fornecê-lo no ato do registro. Deve também estar
preparado para pagar uma taxa de inscrição e
posteriormente outra de manutenção, paga anualmente.
Cada país oficialmente
conectado à Internet tem um órgão similar à InterNIC.
Cada um cuida do registro de nomes de domínios no seu
território de forma similar à descrita acima, mas com
ajustes para as leis e a realidade de cada região.
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A Internet não conhece
fronteiras e a maior parte de seus padrões são
internacionais. Apenas poucos aspectos da Rede
precisam ser adaptados para determinadas regiões do
mundo. Neste artigo, são descritos aspectos da
Internet específicos para o Brasil.
O primeiro planeja a
evolução da infra-estrutura e dos serviços Internet no
Brasil através de estudos, recomendações e propostas
de padrões para protocolos e serviços, além de
desenvolver os procedimentos para a alocação de
endereços IP e registro de domínios para qualquer
instituição solicitante no país. O segundo grupo
pretende dotar a Internet brasileira de instrumentos
para que ela seja auto-sustentável sem desviar de seus
objetivos primordiais. O terceiro, como o nome já diz,
trabalha pela segurança de todas as linhas de
transmissão da Internet.
Como se vê, o Comitê Gestor
faz no Brasil o equivalente ao que vários órgãos fazem
internacionalmente, além do trabalho de adaptar à
nossa estrutura e às nossas leis as práticas da
Internet.
Para uma de suas
responsabilidades, o registro e a manutenção de
domínios, o CG designou a FAPESP . Qualquer pessoa,
empresa ou instituição que deseje ter seu próprio
domínio no Brasil deve registrá-lo no site .
As principais entidades da
Internet no Brasil são o Comitê Gestor (CG) e a FAPESP
(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo). Como já visto, ao primeiro cabe recomendar as
regras gerais da Internet no país, enquanto que, ao
segundo, a tarefa de registrar e administrar os nomes
de domínio.
Quando o CG foi criado,
tomou-se o cuidado de haver representatividade da
sociedade entre seus membros. Sendo assim, cada um
deles é representante de um segmento importante da
sociedade em relação à Internet. Seus membros
representam: o Ministério da Ciência e Tecnologia; a
Comunidade de Usuários; o antigo Sistema Telebrás; o
CNPq; a comunidade acadêmica; os Provedores de
Serviços; a comunidade empresarial e o Ministério das
Comunicações.
Assim como seus equivalentes
internacionais, o CG organiza Grupos de Trabalho para
resolver e implementar questões técnicas da Internet
no Brasil. Em 1998, contava com três desses grupos,
dedicados à "Engenharia e Operação de Redes",
"Economia de Redes" e "Segurança de Redes".
A missão do Comitê Gestor,
segundo o próprio, é:
-
Fomentar o desenvolvimento dos serviços Internet no
Brasil;
-
Recomendar padrões e procedimentos técnicos e
operacionais para a Internet no Brasil;
-
Coordenar a atribuição de endereços Internet, o
registro de nomes de domínios, e a interconexão de
espinhas dorsais;
Coletar, organizar e
disseminar informações sobre os serviços Internet.
A nível de redes, a RNP
administra o backbone Internet/BR, através do Centro
de Operações da Internet/BR; as redes ligadas a esse
backbone são administradas por instituições locais,
por exemplo a FAPESP, em São Paulo.
Ligado à RNP existe ainda o Centro de Informações da
Internet/BR, cujo objetivo principal é o de coletar e
disponibilizar informações e produtos de domínio
público, a fim de auxiliar a implantação e conexão à
Internet de redes locais.
Para se ter uma idéia do
movimento nesse setor, vamos a algumas estatísticas
levantadas em setembro de 1998:
-
Existem 56.977 domínios registrados no Brasil (com
final ".br");
-
91,79% deles são do tipo (top-level) "com.br";
-
Em poucos meses de atividade, os novos domínios para
profissionais liberais somam 837, que equivale a
1,47% do total;
-
Nesse período 139 médicos já registraram seus
domínios, e apenas 3 veterinários;
A média diária de novos
domínios registrados é de 150.
É bom que se diga que, em
uma rápida visita à FAPESP, pode-se notar que seu
sistema nada deve em eficiência aos seus equivalentes
internacionais.
De acordo com estudo da Jupiter Media Metrix (julho de 2001), o número total de
internautas no Brasil foi de 5,86 milhões nos dez
principais mercados metropolitanos. O número ficou um
pouco abaixo dos 5,87 milhões assinalados em maio de
2000. Já no ranking dos domínios mais visitados, o UOL
permanece na primeira posição, com 78,7%, seguido da
Microsoft Sites (62,2%), AOL Time Warner Network
(58,2%) e Starmedia Network (46,9%). No ranking de
domínios e aplicativos de mídia digital, que considera
os endereços na Internet mais acessados, o ICQ
Applications saltou quatro posições, chegando ao
terceiro lugar, com 43,9%. No entanto, o UOL manteve
sua liderança também nesse ranking, alcançando 65,8%
da audiência, seguido pelo BOL (46,5%), ICQ (43,9%),
MSN (42,9%) e HpG (41,7%) .
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