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Curso de Informática Básica

CURSO: CRIAÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO, COM O USO DO COMPUTADOR.

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CURSO DE INFORMÁTICA BÁSICA
PARA PROFESSORES E FUNCIONÁRIOS DO CEFET-RJ
 

02

A Web - 4.1 - Introdução à Internet

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A Administração da  Internet

 

Muito se fala sobre a Internet e a tendência das pessoas é imaginá-la como uma empresa, mas essa primeira impressão está bastante longe da realidade. De início, ressaltamos o que, a nosso ver, é o mais interessante e democrático na Internet: ela não é uma empresa e também não tem um "dono". O que ela é então? Se não tem dono, quem manda e toma conta? Vejamos então:

A Internet é, na verdade, um conjunto de milhares de computadores, utilizados por pessoas e instituições, interligados. Esses computadores trocam informações entre si por todo o globo terrestre. Uma analogia interessante, e por isso mesmo muito usada, é: "A Internet é um mundo virtual". A motivação para que esse mundo virtual exista e continue crescendo vem de todas as partes envolvidas e a organização necessária para isso é mantida por dezenas de instituições e comitês, criados pelos usuários e governos com essa finalidade.

Há muita liberdade na Rede. Porém, algum nível de organização precisa existir para evitar o caos. Para isso, existem vários órgãos e comitês dedicados a manter a ordem no que já existe e, principalmente, no que ainda virá a ser criado na Rede.

O mais importante para se entender é que esses órgãos e comitês, na maior parte das vezes, têm seu poder dado pela própria comunidade da Internet, de onde também vêm seus membros. Algumas dessas instituições são oficiais, criadas por governos.

2.1. No mundo

Tanto a administração quanto a operação da Internet são descentralizadas, sendo que apenas algumas tarefas não o são, tais como a coordenação das pesquisas e padrões para funcionamento da rede, e distribuição de endereços e registros de domínios para interligação à essa rede.
As principais instituições responsáveis por essas tarefas são:

» The Internet Society ( ISOC ): através de fórums, debates e publicações, procura orientar a pesquisa e utilização da Internet.
A ISOC (Internet Society) surgiu recentemente para, dentre outras atribuições, coordenar todo o processo de padronização na Internet. Para entender como a ISOC funciona, é necessário analisar suas forças-tarefa, como a IETF.

» The Internet Architecture Board ( IAB ): fundado em 1983 como Internet Activities Board, e integrado à Internet Society em 1992, coordena toda a pesquisa e desenvolvimento envolvidos no funcionamento da Internet, coordenando duas frentes de trabalho, que são os grupos de pesquisadores voluntários IETF e IRTF.

» The Internet Research Task Force ( IRTF ): grupo formado com o objetivo de desenvolver pesquisas a longo prazo referentes ao funcionamento da Internet.

» The Internet Engineering Task Force ( IETF ): grupos de pesquisadores e técnicos responsáveis pelo desenvolvimento de padrões para funcionamento da Internet; desses grupos surgem os documentos conhecidos como RFC’s (Request For Comments), que, embora tenham sido criados apenas como propostas para padronização, na prática tornaram-se os padrões oficiais da Internet.
O órgão responsável por construir os padrões da Internet, como o endereçamento IP, é a IETF (Internet Engineering Task Force). Através de grupos de trabalho criados para cada assunto específico, a IETF desenvolve e testa as novas teorias com seus engenheiros, projetistas e demais membros. Após algum tempo, que pode variar entre semanas e muitos meses, o grupo de trabalho pode lançar uma RFC (Request for Comments).

» The Internet Assigned Numbers Authority ( IANA ): mantido pelo Instituto de Ciência e Informação da Universidade do Sul da Califórnia, controla a distribuição de identificadores para serviços a serem fornecidos via Internet.

A IANA, pouco falada até agora, também é responsável pela organização dos nomes de domínio e seus respectivos endereços IP. Porém, ela delegou essa responsabilidade a outras organizações ao redor do mundo, as quais podem ser mais eficientes, por estarem mais próximas e mais concentradas nos usuários desses serviços. 

» The Internet Network Information Center ( InterNIC ): composto por 3 instituições (AT&T, PSI e General Atomics) centraliza a distribuição de informações da Internet Society (RFC’s,...), além de coordenar a distribuição de endereços e registros de domínio para provedores a nível mundial.
Qualquer entidade que deseje registrar um domínio nos Estados Unidos deve procurá-la. A pessoa ou empresa interessada deve ir na página da InterNIC e fazer primeiro uma pesquisa para saber se o domínio pretendido já foi registrado. Em caso negativo, deve pedir para o seu provedor de presença um endereço IP e fornecê-lo no ato do registro. Deve também estar preparado para pagar uma taxa de inscrição e posteriormente outra de manutenção, paga anualmente.

Cada país oficialmente conectado à Internet tem um órgão similar à InterNIC. Cada um cuida do registro de nomes de domínios no seu território de forma similar à descrita acima, mas com ajustes para as leis e a realidade de cada região.

2.2. No Brasil

A Internet não conhece fronteiras e a maior parte de seus padrões são internacionais. Apenas poucos aspectos da Rede precisam ser adaptados para determinadas regiões do mundo. Neste artigo, são descritos aspectos da Internet específicos para o Brasil. 

O primeiro planeja a evolução da infra-estrutura e dos serviços Internet no Brasil através de estudos, recomendações e propostas de padrões para protocolos e serviços, além de desenvolver os procedimentos para a alocação de endereços IP e registro de domínios para qualquer instituição solicitante no país. O segundo grupo pretende dotar a Internet brasileira de instrumentos para que ela seja auto-sustentável sem desviar de seus objetivos primordiais. O terceiro, como o nome já diz, trabalha pela segurança de todas as linhas de transmissão da Internet.

Como se vê, o Comitê Gestor faz no Brasil o equivalente ao que vários órgãos fazem internacionalmente, além do trabalho de adaptar à nossa estrutura e às nossas leis as práticas da Internet.

Para uma de suas responsabilidades, o registro e a manutenção de domínios, o CG designou a FAPESP . Qualquer pessoa, empresa ou instituição que deseje ter seu próprio domínio no Brasil deve registrá-lo no site .

As principais entidades da Internet no Brasil são o Comitê Gestor (CG) e a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Como já visto, ao primeiro cabe recomendar as regras gerais da Internet no país, enquanto que, ao segundo, a tarefa de registrar e administrar os nomes de domínio. 

Quando o CG foi criado, tomou-se o cuidado de haver representatividade da sociedade entre seus membros. Sendo assim, cada um deles é representante de um segmento importante da sociedade em relação à Internet. Seus membros representam: o Ministério da Ciência e Tecnologia; a Comunidade de Usuários; o antigo Sistema Telebrás; o CNPq; a comunidade acadêmica; os Provedores de Serviços; a comunidade empresarial e o Ministério das Comunicações.

Assim como seus equivalentes internacionais, o CG organiza Grupos de Trabalho para resolver e implementar questões técnicas da Internet no Brasil. Em 1998, contava com três desses grupos, dedicados à "Engenharia e Operação de Redes", "Economia de Redes" e "Segurança de Redes".

A missão do Comitê Gestor, segundo o próprio, é:

  • Fomentar o desenvolvimento dos serviços Internet no Brasil;

  • Recomendar padrões e procedimentos técnicos e operacionais para a Internet no Brasil;

  • Coordenar a atribuição de endereços Internet, o registro de nomes de domínios, e a interconexão de espinhas dorsais;

Coletar, organizar e disseminar informações sobre os serviços Internet.

A nível de redes, a RNP administra o backbone Internet/BR, através do Centro de Operações da Internet/BR; as redes ligadas a esse backbone são administradas por instituições locais, por exemplo a FAPESP, em São Paulo.
Ligado à RNP existe ainda o Centro de Informações da Internet/BR, cujo objetivo principal é o de coletar e disponibilizar informações e produtos de domínio público, a fim de auxiliar a implantação e conexão à Internet de redes locais.

Para se ter uma idéia do movimento nesse setor, vamos a algumas estatísticas levantadas em setembro de 1998:

  • Existem 56.977 domínios registrados no Brasil (com final ".br");

  • 91,79% deles são do tipo (top-level) "com.br";

  • Em poucos meses de atividade, os novos domínios para profissionais liberais somam 837, que equivale a 1,47% do total;

  • Nesse período 139 médicos já registraram seus domínios, e apenas 3 veterinários;

A média diária de novos domínios registrados é de 150.

É bom que se diga que, em uma rápida visita à FAPESP, pode-se notar que seu sistema nada deve em eficiência aos seus equivalentes internacionais.

De acordo com estudo da Jupiter Media Metrix (
julho de 2001), o número total de internautas no Brasil foi de 5,86 milhões nos dez principais mercados metropolitanos. O número ficou um pouco abaixo dos 5,87 milhões assinalados em maio de 2000. Já no ranking dos domínios mais visitados, o UOL permanece na primeira posição, com 78,7%, seguido da Microsoft Sites (62,2%), AOL Time Warner Network (58,2%) e Starmedia Network (46,9%). No ranking de domínios e aplicativos de mídia digital, que considera os endereços na Internet mais acessados, o ICQ Applications saltou quatro posições, chegando ao terceiro lugar, com 43,9%. No entanto, o UOL manteve sua liderança também nesse ranking, alcançando 65,8% da audiência, seguido pelo BOL (46,5%), ICQ (43,9%), MSN (42,9%) e HpG (41,7%) .

 

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