Compartilhando a
Palavra e as misericórdias de Deus
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lições são colocadas no Orkut e no Site do CURSO BÍBLICO
LIVRE, onde permanentemente teremos novidades.
Nesta lição estudaremos sobre
os Pais da Igreja e a importância deles para o cristianismo
e nossa Igreja de hoje. Falaremos somente sobre os mais
influentes de cada século, até meados do 5º sec, finalizando
com Agostinho que, o mais importante e influente dos Pais.
PAIS DA
IGREJA
QUEM FORAM
ELES?
A partir do
ano 95 d.C., os líderes ou bispos, começaram a ser chamados
de "Pais da Igreja", como uma forma carinhosa. Esse
título, disseminado a partir do
3º sec., surgiu devido à reverência que muitos cristãos
tinham pelos bispos dos primeiros séculos e foi-lhes
conferido esse título para descrever os que se destacavam
dentre os demais. A estes chamavam carinhosamente de “Pais”
devido ao amor e zelo que tinham pela Igreja. Mais tarde,
porém, este termo foi sacralizado pelos escritores
eclesiásticos e mais tarde Gregório VII reivindicou com
exclusividade o termo “PAPA”, ou seja, “Pai dos pais”.
Você deve
encontrar em alguma literatura o termo “patrística”,
referindo-se ao corpo doutrinário criado pelos primeiros
“Pais”, ou seja, as
doutrinas consideradas verdades de fé do Cristianismo e sua
defesa contra os ataques dos "pagãos"
e contra as
heresias
(entre os
séculos II e VIII, não incluindo o Novo Testamento).
Esse termo pode também ser uma referencia direta aos “Pais
da Igreja”, ou ainda ao estudo da vida desses homens.
Nessa 3ª
lição, vamos falar sobre alguns desses homens e as
características de algumas das obras consideradas mais
importantes para a Igreja em formação, mas uma
característica que tinham em comum, era a reverência pelo
V.T. e o desejo da edificação e defesa da Igreja, através
dos seus escritos.
O INÍCIO DE
UMA NOVA ERA PARA A IGREJA
No final do 1º
século morre em Éfeso o último dos apóstolos, João.
[1]“João seria o mais novo dos 12
discípulos e tinha provavelmente, cerca de vinte e quatro
anos de existência quando foi chamado por Jesus. Consta que
seria solteiro e vivia com os seus pais em Betsaida. Era
pescador de profissão e consertava as redes de pesca.
Trabalhava junto com seu irmão
Tiago
e, em provável sociedade com
André
e
Pedro.
Morreu de morte natural, em Éfeso, no ano 103 d.C., quando
tinha 94 anos.” Terminava assim a era apostólica. Começa um
período novo para a igreja, a obra dos apóstolos acha-se
agora nas mãos de novos líderes que tinham a incumbência de
desenvolver a vida litúrgica da igreja.
O período que
comumente é chamado de pós-apostólico, onde tiveram atuação
os pais da Igreja é de intenso desenvolvimento do pensamento
cristão. Considero, por isso, muito importante conhecer a
doutrina dos chamados “Pais da Igreja” pois eles foram os
responsáveis pelo povo de Deus daquela época e também porque
a teologia que elaboraram, até hoje serve como base para a
nossa Igreja. As obras que produziram foram escritas em
grego e latim, embora hajam também muitos escritos
doutrinários em aramaico e outras línguas orientais.
Do século II
até o século IV, nomes como o de Clemente de Roma, Clemente
de Alexandria, Inácio de Antioquia, Policarpo, Justino o
mártir, Irineu de Lião, Origines, Tertuliano e outros, que
foram os responsáveis por transmitir os ensinamentos
bíblicos, merecem reconhecimento por sua fé, virtude e o
zelo pela Igreja. Entretanto, devemos lembrar que mesmo
homens como esses não ficaram isentos de erros e até mesmo
foram considerados como heréticos por algumas de suas idéias
teológicas. Esse foi o caso de Origines, por exemplo, que
teve muitos de seus ensinos condenados pelo II concílio de
Constantinopla em 553.
A
IMPORTÂNCIA DE VOLTAR OS OLHOS PARA O PASSADO
Assim como
Orígenes e tantos outros, não estamos livres, hoje, de nos
depararmos com idéias mirabolantes de líderes atuais. Em
alguns segmentos evangélicos surgem “coisas” muito
estranhas, sem nenhuma base bíblica ou respaldo na teologia
bíblica ou ainda em conformidade com a prática consagrada
pela Igreja, através dos tempos.
Por essa razão, daremos
continuidade ao nosso Curso Bíblico Livre, voltando aos
primórdios da igreja porque, conhecendo as suas origens, a
sua história, podemos compreender melhor os caminhos do
Senhor e com isso adquirir uma visão mais crítica da Igreja
de hoje. Cícero, em sua lúcida afirmação disse: ”os que nada
sabem sobre os dias que precederam o seu nascimento estão
fadados a ser como crianças que vivem no presente, sem a
valiosa sabedoria do passado.”
Aquele que despreza o passado
corre o serio risco de cometer os erros que levaram a
grandes catástrofes no mundo, como o nazismo ou como o que
está sendo noticiado sobre um grupo de russos, que
estão hoje, 28/11/2007, refugiados em uma caverna com
temperatura abaixo de zero, inclusive com crianças. Estão
aguardando o fim do mundo que está marcado, segundo eles,
para maio/2008.
A nossa igreja tem quase 2000
anos, considerando o seu inicio no princípio do ministério
do Senhor, aos 27 anos e, segundo o Bruce L. Shelley, em seu
livro História do Cristianismo,
“muitos cristãos, hoje em dia, sofrem de amnésia histórica.
O período entre os apóstolos e os dias atuais se transformou
em uma grande lacuna”.
Lemos em nossa bíblia as passagens
de Ex. 13.8,16 e 16.33, sem dar conta de que as orientações
de Deus a Moisés de preservação de sinas da atuação d´Ele no
passado, para as gerações futuras, dizem respeito a nós
também.
Encontramos hoje, multidões de
cristãos ignorantes acerca da história cristã e, portanto,
vulneráveis aos apelos de fim do mundo, de enriquecimento
fácil e tantos benefícios matérias à sua disposição, se
forem fiéis. Muitos líderes se arvoram como detentores dos
oráculos divinos; que se apresentam como possuidores de uma
linha direta com os céus, pregando que a sua forma de ver e
se portar é a única capaz de conduzir o fiel a uma vida
regalada aqui na terra e nos céus. Para esses, basta uma
leitura ao texto de Hb 11:35-38 ou se lembrarem do fim que
tiveram quase a totalidade dos apóstolos - martirizados
pelos romanos ou pelos próprios judeus. A mensagem que a
Bíblia nos traz não é de riqueza material e nem de posição
social, mas de vida vitoriosa no espírito, de riquezas
espirituais e uma vida eterna no porvir.
Somos forasteiros em terra
estranha. Não somos desse mundo, mas estamos aqui de
passagem para uma vida eterna. Então, tudo o que diz
respeito aos valores dessa vida, não pode prender a nossa
atenção e nos trazer esperança. A nossa esperança está nos
céus; está no Senhor; está além do que conseguimos
enxergar.
Por essa
razão, achamos por bem, nessas primeiras lições, trazer à
lembrança alguns dos mais importantes acontecimentos da
história da fé cristã. Evidentemente que não encerraremos
com a nossa narrativa, os fatos mais marcantes na visão
particular de um ou outro participante do Curso Bíblico
Livre, mas nos esforçaremos por trazer aqueles que julgamos
ser mais pertinentes.
UM BREVE HISTÓRICO
O conhecimento
do Evangelho e as experiências passadas oralmente, no qual
se apoiava a fé cristã nos primórdios do cristianismo, era
um saber de salvação, revelado, não apoiado por uma
filosofia da moda. Era baseado no compartilhar da prática
diária e na luta contra o paganismo greco-romano e contra as
heresias surgidas entre os próprios cristãos. Com o passar
do tempo, no entanto, os pais da igreja se viram obrigados a
recorrer da filosofia grega clássica, e por meio dela
procuraram dar consistência lógica à doutrina cristã.
Não é de se estranhar que os
primeiros escritos patrísticos falavam de martírios, como “A
paixão de Perpétua e Felicidade”, escrito no início do 3º
sec. Eram escritos
[i]apologéticos,
destinados a alcançar um público menos hostil e iletrado.
Esse escrito descreve o período em que sua autora, a nobre
Perpétua, aguardava execução por se recusar a renegar a fé
cristã.
“Em meados do século II, os cristãos passaram a escrever
para justificar sua obediência ao Império Romano e combater
as idéias
[ii]gnósticas,
que consideravam heréticas. Os principais autores desse
período foram Justino Mártir, professor cristão condenado à
morte em Roma por volta do ano 165; Taciano, inimigo da
filosofia; Atenágoras; e Teófilo de Antioquia. Entre os
gnósticos, destacaram-se Marcião, que rejeitava o judaísmo e
considerava
[iii]antitéticos
o Antigo e o Novo Testamento”.
“No século III floresceram
Orígenes, que elaborou o primeiro tratado coerente sobre as
principais doutrinas da teologia cristã e escreveu Contra
Celsum e Sobre os princípios; Clemente de Alexandria, que em
sua Stromata expôs a tese segundo a qual a filosofia era boa
porque era consentida por Deus; e Tertuliano de Cartago”.
A partir do
Concílio de Nicéia, realizado no ano 325, o cristianismo
deixou de ser a crença de uma minoria perseguida, para se
transformar em religião oficial do Império Romano. Nesse
período, o principal autor foi Eusébio de Cesaréia. Dentre
os últimos gregos destacaram-se, no século IV, Gregório
Nazianzeno, Gregório de Nissa e João Damasceno.
Os maiores
nomes da patrística latina foram Ambrósio, Jerônimo
(tradutor da Bíblia para o latim) e Agostinho, este
considerado o mais importante filósofo em toda a patrística
(veja detalhes sobre Agostinho no final, pag 8 e 9). Além de
sistematizar as doutrinas fundamentais do cristianismo,
desenvolveu as teses que constituíram a base da filosofia
cristã durante muitos séculos. Os principais temas que
abordou foram as relações entre a fé e a razão, a natureza
do conhecimento, o conceito de Deus e da criação do mundo, a
questão do mal e a filosofia da história.
DIVISÃO DOS PERÍODOS DE ATUAÇÃO DOS PAIS DA IGREJA
Podemos dividir os “Pais da
Igreja” em três ou quatro grandes grupos, dependendo da
visão da cada autor. A nós, pareceu-nos melhor, considerar
quatro grupos, até o início da 1ª metade do 5º século,
dividindo-os por períodos de cerca de 100 anos, em cada
século de história da Igreja.
É preciso
levar em conta que muitos dos nomes que figuram em um dos
grupos podem se enquadrar em mais de um deles, de acordo com
a literatura que produziram para a edificação e defesa do
Cristianismo, e também de acordo com o que as circunstancias
exigiam.
Sendo assim,
então, temos:
I Século - (95 e 150 d.C.) - Pais apostólicos ou
Ante-Nicenos
Os pais
apostólicos foram aqueles que tiveram relação mais ou menos
direta com os apóstolos e escreveram para a edificação da
Igreja, geralmente entre o primeiro e segundo século. Os
mais importantes destes foram, Clemente de Roma, Inácio de
Antioquia, Papias, Policarpo e Pastor de Hermas.
Tiveram como
tarefas principais:
edificação e fortalecimento dos crentes na fé.
Pais de maior
destaque:


Dos
relacionados acima, estes foram os de maior proeminência:
Clemente de
Roma – (30 a 100 d.C.) (Edificação da Igreja)
Ele escreveu
uma epístola aos cristãos da igreja de Corinto quando se
revoltaram contra os presbíteros, por volta do ano 95. Na
epístola, Clemente os exorta a obedecerem seus presbíteros e
acabarem com os problemas que criaram. Nessa carta,
Clemente faz cerca de 150 citações do VT e inúmeras outras
citações de Paulo, o apóstolo.
Entre os
escritos dos pais da Igreja, essa carta é considerada a mais
antiga, depois dos livros do NT.
Inácio – ( I e
II sec. d.C.)
Bispo de
Antioquia, na Síria, foi levado preso para Roma por causa do
seu testemunho cristão. Lá o levaram para os “Jogos
Imperiais” para ser devorado pelas feras. Em sua longa
viagem a caminho de Roma escreveu cartas às igrejas
agradecendo a sua bondade e, especialmente, à igreja de
Roma, pede para que não interfiram no seu martírio. Também
alerta as igrejas quanto às heresias gnósticas e
[iv]docéticas, as quais combateu.
Policarpo -
(70 a 155 d.C.)
Foi discípulo
de Joao e bispo de Esmirna. Em 110 escreveu uma carta em
resposta aos filipenses, repetindo muitas informações
recebidas pelos apóstolos , principalmente de João, se
tornando uma testemunha valiosa da igreja primitiva do 2º
sec. Policarpo compilou e preservou as epístolas de Inácio.
Foi martirizado em 155, apunhalado até a morte e queimado em
uma estaca, porque se negou a falar mal de Cristo diante do
Proconsul romano.
Hermas - ( I e
II sec. d.C.)
Era chamado de
Pastor de Hermas e escreveu sobre visões e parábolas. Foi
contemporâneo de Clemente de Roma. Autor de "O Pastor", um
livro escrito entre
88
e
97
d.C. em
Patmos,
perto de
Éfeso.
Este foi aceito e muito usado pelos primeiros cristãos, que
consideravam Hermas como um profeta.
“Perto
do final do
século II
d.C. ele era aceito como parte do N. T. por
Clemente de Alexandria;
Orígenes
também o aceitou como um livro sagrado e por isso foi
incluído no fim do "[v]Codex
Sinaiticus",
em uso nos meados do
século IV
d.C”.
II Século - (120 – 220 d.C.)
- Apologistas ou Nicenos
- (Em defesa da fé)
Foram aqueles
que empregaram todas suas habilidades literárias em defesa
do Cristianismo perante a perseguição do Estado, contrapondo
as falsas acusações que os primitivos cristãos sofriam, pois
eram comumente chamados de ateus, canibais, praticantes de
incesto, preguiçosos e práticas anti-sociais.
Como uma boa
defesa vem em forma de ataque, eles também procuravam
demonstrar que o judaísmo, as religiões pagãs e o culto do
Estado eram loucos e malévolos.
"Seus
escritos, conhecidos como apologias, fizeram um apelo
racional aos líderes pagãos e procuraram criar uma
interpretação inteligente do cristianismo e, assim, revogar
os dispositivos legais contra as práticas cristãs. Um dos
maiores argumentos era de que, já que as falsas acusações
não poderiam ser provadas, os cristãos deviam ser tolerados
pelo governo e protegido pelo estado Romano”.
Geralmente
este grupo se situa no segundo século e os mais proeminentes
entre eles foram:
Aristides de
Atenas
Por volta do
ano 140 enviou uma apologia (defesa) ao Imperador Antônio
Pio, comparando as formas dos cultos dos cristãos e a dos
povos pagãos e judeus, na tentativa de provar a
superioridade da forma cristã de cultuar, apontando também
os costumes e a ética dos primeiros cristãos.
Justino Mártir de Siquém
Foi
considerado o principal mártir do sec. II. Abriu uma escola
cristã em Roma. Também escreveu uma apologia ao Imperador
Antônio Pio e uma segunda ao Senado e ao povo romano, onde
exorta os imperadores a examinarem as acusações contra os
cristãos.
Tertuliano
Foi o principal apologista
da Igreja Ocidental. Era um romano erudito e desenvolvedor
de uma sólida teologia ocidental, refutando as falsas forças
filosóficas e pagãs que se opunham ao cristianismo. Em uma
de suas obras (Apologeticum) afirma que o Estado persegue a
Igreja, baseado em valores equivocados, uma vez que os
ajuntamento destes, suas doutrinas e a moral dos cristãos
são superiores aos seus vizinhos pagãos.
Existiram
ainda outros também importantes como Aristides, Atenágoras,
Quadrato Taciano – Discipulo de Justino, Teófilo, bispo de
Antioquia, Melito, bispo de Sardes, Hegesipo – Judeu
convertido que culpava o judaísmo por todas as heresias.
As apologias
(defesas) que foram escritas são de grande valor para nós
cristãos, pois lançaram os fundamentos do pensamento
cristão, em meados do sec. II.
III Século - (180 – 250
d.C.) - Polemistas - (Contra as falsas doutrinas)
Geralmente, situados no terceiro
século, os pais desse grupo não mediram esforços para
defender a fé cristã das falsas doutrinas surgidas fora e
dentro da Igreja.
Empenhavam-se
por responder aos ensinos dos heréticos, condenando
veementemente esses ensinos e seus mestres.
Ao contrário
dos apologistas, serviam-se mais do N.T. como fonte da
doutrina cristã. Procuravam condenar pela força do
argumento, os falsos ensinos a que se propunham os
heréticos.
Os mais
destacados entre eles foram:
Irineu (130 – 200 d.C.) (Polemista Anti-gnóstico)
Foi bispo de Gália em 180. Era missionário bem-sucedido e
desenvolveu seus escritos contra o gnosticismo.
Clemente de Alexandria (155 – 225 d.C.)
Nasceu em Atenas e estudou filosofia com muitos mestres,
antes de iniciar seus estudos com Panteno, diretor da escola
catequética de Alexandria. Antes de 190 já dirigia essa
escola com seu mestre Panteno.
Para Clemente, toda a verdade pertence a Deus e tudo o que
houvesse de verdadeiro na sabedoria grega, deveria der
empregado no serviço de Deus.
Orígenes (185 – 254 d.C.)
Aluno de Clemente, foi seu sucessor na Escola aos 18 anos.
Segundo uma estimativa, Origenes foi autor de 6000
pergaminhos. Levou uma vida ascética simples. Sua maior
contribuição à literatura cristã, provavelmente tenha sido
“De Principiis”, escrita em 230. Foi o primeiro tratado
cristão de Teologia Sistemática.
Pesa contra ele o fato dele crer que Cristo foi “eternamente
gerado” pelo Pai e subordinado a ele. Sustentou também a
preexistência da alma, a restauração final de todos os
espíritos e a morte de Cristo, um resgate pago a Satanás.
Tertuliano – (160 – 220)
Exortava a santidade da mulher, no vestuário e adorno,
propondo que os cristãos deveriam se separar dos
divertimentos; idéias como conseqüência do Puritanismo, que
era adepto.
Sua maior contribuição foi a de estabelecer a doutrina
teológica da Trindade, fazendo uso desse termo para
defendê-la.
Cipriano (200 - 258)
Foi aluno de Tertuliano e bispo de Cartago.
“opôs-se
às reivindicações de Estevão, bispo de Roma, de
superioridade sobre todos os bispos”.
Foi martirizado em 258, durante o governo do Imperador
Valeriano, antes, porém, publicou a sua obra mais
importante: A Unidade da Igreja.
Poderíamos citar ainda muitos outros cristãos que tiveram o
seu ministério no 3º sec., tais como:
- Hipólito – 170 – 236 – Atuou em Roma e foi aluno de
Irineu. Opôs-se ao Bispo de Roma de sua época. Morreu no
exílio na Sardenha.
- Júlio Africano – 160 – 240
– Foi pesquisador e aluno de Orígenes. Sua pesquisa
histórica abrangeu o período desde a criação até 221 d. C.
- Gregório Taumaturgo – 213
– 270 – Converteu-se sob a influência de Orígenes, sendo seu
aluno. Foi Bispo da Neocesaréia, conhecido como “Operador de
Milagres”.
IV Século – (325 – 460) - Os
Teólogos Científicos ou Pós-Nicenos
São
assim chamados por terem atuado no período entre os
Concílios de Nicéia (325) e de Calcedônia (451).
Objetivo: Aplicar métodos científicos na
interpretação bíblica.
Entre os anos de 313 e 451 surgiram uma série de
controvérsias teológicas, que geraram sérios conflitos.
Esses conflitos foram os grandes responsáveis pelos credos
do protestantismo, que vamos ver mais tarde, no nosso curso.
Uma das grandes controvérsias foi criada por Ário. Ele
afirmava que Jesus era um semi-deus, criado por Deus e não
podia salvar o homem, por ser menor do que Deus.
A
solução para as controvérsias, na tentativa de se adotar uma
linguagem teológica comum, no que diz respeito à
interpretação bíblica, foi o estabelecimento dos principais
doutrinas
[vi](dogmas) da Igreja cristã.
O
Imperador Constantino, com o objetivo de tentar unificar o
seu império, estimulou a Igreja a definir as suas doutrinas,
afim de se tornar o
[8]“cimento capaz de manter unido o
corpo político”. A Igreja adota, então os Concílios
Ecumênicos ou Universais, como forma de se definir o que ela
crê, no que se refere à teologia, resolvendo as diferenças
de interpretação do texto sagrado.
Foram, então, realizados 7 Concílios Ecumênicos,
representando a Igreja Cristã toda, convocado e presidido
pelo Imperador romano, com a participação dos líderes da
Igreja de todas as partes do Império.
NOTA:
Não pretendemos descrever aqui os dados sobre os
Concílios Ecumênicos, por ser documentação farta e que
somente interessaria a poucos. Oportunamente
disponibilizaremos essas informações no site.
Os nomes que
destacaremos aqui são considerados pela história da Igreja
como os mais capazes. Eles procuraram estudar a Bíblia em
bases mais científicas, com o objetivo de desenvolver uma
teologia cristã.
Proeminentes:
No Ocidente - Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. No Oriente -
Crisóstomo e Teodoro.
Em Alexandria - Atanásio, Basílio de Cesaréia e Cirilo.
Destacaremos aqui os do Ocidente:
Jerônimo
– (419 a 420)
Foi
nascido em uma rica família da Dalmácia. Passou a maior
parte da sua juventude em Roma estudando línguas e
filosofia. Foi secretário do papa Dâmaso, viajante e
peregrino. Preocupou-se em estudar a língua, ouvir teólogos,
filósofos e entabular contato com judeus.
“Apesar
da história não relatar pormenores de sua conversão, se sabe
que se batizou quando tinha entre dezenove e vinte anos.
Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação de 20 anos
pelo Império.
Sua viagem iniciou pela Gália, onde estudou Teologia por
alguns anos, aperfeiçoou o grego e adotou a vida monástica.
Voltando para Aquiléia esteve durante três anos trabalhando
com o Bispo Valeriano. Em 375, Jerônimo partiu para
Antioquia da Síria, onde aprendeu o hebraico e estudou
intensivamente as Escrituras. Depois de dois anos foi
ordenado a padre pelo Bispo Paulino”
Duas foram suas preocupações: a vida monástica, que
estimulou em toda parte, construindo e governando quatro
mosteiros, e o estudo da Sagrada Escritura. Em 386 fixa
residência em Belém, onde permaneceu até a morte.
Ali completa sua obra principal: a revisão do texto latino e
depois a tradução de todo o Antigo Testamento,
confrontando-o com outras versões e o original hebraico.
Desde o século XIII, sua tradução Latina é conhecida como
"Vulgata".
“Jerônimo
foi cuidadoso na busca de suas informações e procurou usar
as versões mais antigas e manuscritos bíblicos já não
existentes. Trabalhando sobre o princípio que o texto
original da Bíblia estava livre de erros, ele começou um
estudo profundo dos manuscritos juntamente com a
Septuaginta, a fim de determinar, entre muitos outros, que
texto poderia se considerar como original e verdadeiro.
Entre os anos 386 e 390, ele completou a tradução, bem como
os comentários do Novo Testamento. Entre os anos 390 e 398,
ele escreveu muitas obras e comentários que são usados até o
dia de hoje; traduziu escritos de outros eruditos para o
Latim e atualizou a obra de Eusébio de Cesaréia, "História
Eclesiástica", incluindo os eventos ocorridos na Igreja
entre os anos 325 e 378.
A
partir do ano 398 até 405, Jerônimo terminou o seu grande
projeto, a tradução completa em Latim do Antigo Testamento
Hebraico. Esta versão da Bíblia tem sido amplamente usada
pela Igreja Ocidental e tem sido, até recentemente, a única
Bíblia oficial da Igreja Católica Romana desde o Concílio de
Trento. Seu amor pela vida ascética fez dele um propagador
do
[vii]ascetismo,
chegando no final de sua vida, entre os anos 405 e 420, ao
extremo da abstinência da alimentação normal, do trabalho e
do casamento”.
Ambrósio (340 a 397)
Ambrósio
de Milão nasceu em 340 e viveu até 397. Seu primeiro cuidado
como bispo foi despojar-se de todas as suas propriedades,
doando seus bens aos pobres e à Igreja. Exortava os
ministros que
serviam
sob sua coordenação, sobre seus deveres quanto à prédica e o
estudo das Escrituras.
“Ambrósio
foi sobretudo, um pastor. Viveu cercado pela multidão dos
pobres, embora sendo difícil
falar com ele.
Seu prazer era o de comentar
as Escrituras, os Evangelhos. Foi um catequista nato e
orador de qualidade, pois chegou a convencer o próprio
Agostinho. Preocupado com a participação dos fiéis na
liturgia, introduz em Milão o canto alternado dos salmos,
escreveu hinos, compôs melodias populares, sempre inspirado
no Oriente.
Destacou-se pela sua ação social, numa capital de pouco
ricos e muitos pobres. Denunciou os excessos da propriedade:
"Não são os seus bens que distribuem aos pobres, são apenas
os bens de Deus que vocês destinam. O que fazem, é usurpar
só para uso pessoal, o que é dado a todos é para ser
utilizado por todos".
Ambrósio
defendia a liberdade da Igreja frente ao Estado, não tendo
medo de chamar o imperador à obediência. O grande Teodósio
tinha mandado massacrar sete mil pessoas em Tessalônica, por
pura vingança.
Ao querer entrar na Igreja, Ambrósio o excomunga e manda
para a rua: que fizesse primeiro penitência! Dias depois, o
imperador mais poderoso da terra entra na igreja vestido de
penitente, pedindo que Ambrósio o recebesse!”
Agostinho (354 a 430)

“Filósofo
e Teólogo de Hipona, norte da África. Polemista capaz,
pregador de talento, administrador episcopal competente,
teólogo notável, ele criou uma filosofia cristã da história,
que continua válida até hoje em sua essência.Vivendo num
tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir
diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o
clássico e o novo medieval”.
“Nascido
em 354 em Tagaste (na atual Argélia), torna-se a mais
influente personalidade do ocidente cristão. Agostinho é
poeta, filósofo, teólogo, pastor, místico e santo. Síntese
de toda a sabedoria da Antiguidade, Agostinho marcou
indelevelmente a Igreja ocidental, a ponto de não haver
campo na vida cristã que não tivesse recebido sua
influência. De rara inteligência, foi a maior preocupação
para sua mãe que queria protegê-lo e conservá-lo na fé
crista.
Agostinho era vivo, emotivo, excessivamente sensível, aluno
indisciplinado, muito seguro de si. Ao ir para estudar em
Cartago, se envolve com os jovens e suas farras. Neste
período teve o filho Adeodato. Inteligência orgulhosa, vê o
Cristianismo como "história da Carochinha", e cai no
viiManiqueísmo, religião originada na Pérsia.
Mas, algo arde nele: a sede da verdade, pois sentia a
angustia de uma vida sem sentido. É um peregrino da verdade.
Vai para Roma, acompanhado pela cuidadosa mãe. Já professor
famoso, mas ainda insatisfeito, vai para Milão. Ali Deus o
pescou com sua rede. Através da escuta dos sermões de Santo
Ambrósio, encontra a Verdade.
Aos prantos, pediu o Batismo e decide voltar à áfrica.
Depois chorando, confessou: "Amei-te tarde, ó beleza, tão
antiga e tão nova, amei-te tarde demais. Ah! Estavas dentro
de mim; o caso, porém, é que eu estava fora... Tocaste-me, e
fiquei inflamado da paz que tu dás".
No porto de Roma, infelizmente, morre sua mãe, Mônica.
Chegando em Hipona, quer dedicar-se à contemplação, mas é
logo escolhido para bispo desta cidade, tomando-se chefe do
episcopado africano. Passou a viver com seus padres em vida
monástica.
Sua vida de pastor não é tranqüila: missa diária, prega até
duas vezes ao dia, dá catequese, administra os bens
temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro,
dívidas, brigas de família, ...), atende os pobres e órfãos,
enfim, uma vida consumida pelo zelo pastoral.
Apesar disso tudo, deixou 113 obras e 225 cartas.
Envolveu-se em todas as controvérsias da África e do mundo
cristão. Sua mais conhecida obra, as "Confissões", são um
relato sincero e humilde de sua vida.
Agostinho é o Doutor da Graça. Salva assim a Igreja
ocidental do
[viii]Pelagianismo, afirmando que a
salvação é fruto da graça, da encarnação e da redenção. Ele
sentiu isso na pele: era um pecador orgulhoso e Deus o
alcançou: pura graça, puro amor!”
Suas Obras:
“Agostinho
é apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais
de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas.
Mais importantes:
Confissões,
obra autobiográfica de sua vida antes e depois de sua
conversão;
Contra Acadêmicos,
obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a
verdade completa através do estudo filosófico e que a
certeza somente vem pela revelação na Bíblia;
De Doctrina Christiana,
obra exegética mais importante que escreveu, onde figuram as
suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da
interpretação. Nela desenvolve o grande princípio da
analogia da fé;
De Trinitate,
tratado teológico sobre a Trindade;
De Civitate Dei,
obra apologética conhecida como Cidade de Deus.
Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto
28 de 410, os romanos creditaram este desastre ao fato de
terem abandonado a velha religião clássica romana e adotado
o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta acusação
a pedido de seu amigo Marcelino.
Agostinho escreveu também muitas obras polêmicas para
defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos
[ix]maniqueus,
dos donatistas e, principalmente, dos vpelagianos.
Também escreveu obras práticas e pastorais, além de muitas
cartas, que tratam de problemas práticos que um
administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do
seu ministério.
A
formulação de uma interpretação cristã da história deve ser
tida como uma das contribuições permanentes deixadas por
este grande erudito cristão. Nem os historiadores gregos ou
romanos foram capazes de compreender tão universalmente a
história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual sobre
o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação.
Esta e outras inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja
através do negro meio-milênio anterior ao ano 1000.
Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor das
idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado
original e atual através da graça de Deus, que é adquirida
unicamente pela fé. Sua insistência na consideração do
sentido inteiro da Bíblia, na interpretação de uma parte da
Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro
para a Igreja”.
Seus últimos
meses de vida
“Durante
os últimos meses de vida, os vândalos tomaram a cidade
fortificada de Hipona por mar e terra. Eles haviam destruído
as cidades do Império Romano no norte da África e as
evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres
e refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma
exceção. No final de sua vida, ele foi submetido a uma
enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que ficasse só, a
fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano
depois da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram
toda a cidade, mas felizmente, a biblioteca de Agostinho foi
salva, e seus escritos se perpetuam em nosso meio até a
nossa era”.
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Na próxima lição vamos estudar sobre as dificuldades da
Igreja primitiva: perseguições e principais heresias
surgidas no 2º e 3º séculos. A luta da Igreja para manter a
pureza da fé e, ao mesmo tempo, combater as tentativas de
sua destruição pelo Estado romano.
Que o Senhor
te abençoe e te guarde!
Até a próxima
lição!
Wikipédia,
a enciclopédia livre em: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Evangelista
NOTAS:
[i]
Apologéticos
– Apologia vem do grego e significa defesa,
justificação. Não é criticar a religião dos outros,
menosprezar as demais crenças ou declarar guerra aos
demais credos. Dentro do contexto
evangélico-eclesiástico, é a habilidade de responder
com provas adequadas e sólidas a fé cristã perante
as demais religiões.
[iii]
Antitético
– É a oposição de duas coisas, assim, pares
antitéticos são dois elementos que, apesar de
contrários, são utilizados juntos para completar uma
mesma idéia.
[vi]
Dogma –
A palavra dogma derivou do verbo em latim dokeo,
que significa pensar, podendo, então, ser traduzida
como pensamento doutrinário da Igreja, no desejo de
encontrar a interpretação correta da Bíblia.
[vii]
Ascetismo
– É uma
filosofia de vida na qual são refreados os prazeres
da vida. Acreditam que a purificação do corpo ajuda
a purificação da alma, e a obter a compreensão de
uma divindade ou encontrar a
paz interior.
Defendem que essas restrições auto-impostas trazem
grande liberdade em varias áreas de suas vidas, tais
como aumento das habilidades de pensar limpidamente
e resistir potencialmente a impulsos destrutivos.
[viii]
Pelagianismo
– Sustenta basicamente que todo homem nasce
moralmente neutro, e que é capaz, por si mesmo, sem
qualquer influência externa, de converter-se a Deus
e obedecer à sua vontade, quando assim o deseje.
[ix]
Maniqueus
– Possui uma visão dualista radical, segundo a qual
o mundo está dividido em duas forças: o Bem (luz) e
o Mal (trevas) como entidades antagônicas em
perpétua luz. O Reino da Luz e o Reino das Trevas
estão em permanente conflito. É dever de cada ser
humano entregar-se a esse eterno combate para
extinguir em si e nos outros a presença das Trevas
afim de poder alcançar o Reino da Luz, que é o Reino
de Deus. No maniqueísmo, os homens "eleitos" irão
purificar o Bem, com uma vida de castidade, renúncia
a família, alimentação
especial,
etc.