CURSO BÍBLICO LIVRE (GRATUITO)
Sem vínculo com igreja ou denominação
INSCRIÇÃO

Lição
03

 
 

Compartilhando a Palavra e as misericórdias de Deus 

Prezado Aluno,

Prezado/a Aluno/a,

Você está livre para copiar e compartilhar esse texto com seus amigos e igreja. Da mesma forma, tudo o que disponibilizamos no site pode ser reproduzido e distribuído. Solicitamos, apenas, que seja de forma gratuita e que faça menção da origem.

 

IMPORTANTE: Solicitamos que você participe da nossa pesquisa no endereço: http://www.cartuchosecia.com/pesquisa/ e também da Comunidade no Orkut: >> Curso Bíblico Livre (grátis). Antes de enviar pelos Correios, as lições são colocadas no Orkut e no Site do CURSO BÍBLICO LIVRE, onde permanentemente teremos novidades.

Nesta lição estudaremos sobre os Pais da Igreja e a importância deles para o cristianismo e nossa Igreja de hoje. Falaremos somente sobre os mais influentes de cada século, até meados do 5º sec, finalizando com Agostinho que, o mais importante e influente dos Pais.

                                                                                PAIS DA IGREJA

QUEM FORAM ELES?

A partir do ano 95 d.C., os líderes ou bispos, começaram a ser chamados de "Pais da Igreja", como uma forma carinhosa.  Esse título, disseminado a partir do 3º sec., surgiu devido à reverência que muitos cristãos tinham pelos bispos dos primeiros séculos e foi-lhes conferido esse título para descrever os que se destacavam dentre os demais. A estes chamavam carinhosamente de “Pais” devido ao amor e zelo que tinham pela Igreja. Mais tarde, porém, este termo foi sacralizado pelos escritores eclesiásticos e mais tarde Gregório VII reivindicou com exclusividade o termo “PAPA”, ou seja, “Pai dos pais”.

Você deve encontrar em alguma literatura o termo “patrística”, referindo-se ao corpo doutrinário criado pelos primeiros “Pais”, ou seja, as doutrinas consideradas verdades de fé do Cristianismo e sua defesa contra os ataques dos "pagãos" e contra as heresias (entre os séculos II e VIII, não incluindo o Novo Testamento). Esse termo pode também ser uma referencia direta aos “Pais da Igreja”, ou ainda ao estudo da vida desses homens.

Nessa 3ª lição, vamos falar sobre alguns desses homens e as características de algumas das obras consideradas mais importantes para a Igreja em formação, mas uma característica que tinham em comum, era a reverência pelo V.T. e o desejo da edificação e defesa da Igreja, através dos seus escritos.

O INÍCIO DE UMA NOVA ERA PARA A IGREJA

No final do 1º século morre em Éfeso o último dos apóstolos, João. [1]“João seria o mais novo dos 12 discípulos e tinha provavelmente, cerca de vinte e quatro anos de existência quando foi chamado por Jesus. Consta que seria solteiro e vivia com os seus pais em Betsaida. Era pescador de profissão e consertava as redes de pesca. Trabalhava junto com seu irmão Tiago e, em provável sociedade com André e Pedro. Morreu de morte natural, em Éfeso, no ano 103 d.C., quando tinha 94 anos.” Terminava assim a era apostólica. Começa um período novo para a igreja, a obra dos apóstolos acha-se agora nas mãos de novos líderes que tinham a incumbência de desenvolver a vida litúrgica da igreja.

O período que comumente é chamado de pós-apostólico, onde tiveram atuação os pais da Igreja é de intenso desenvolvimento do pensamento cristão. Considero, por isso, muito importante conhecer a doutrina dos chamados “Pais da Igreja” pois eles foram os responsáveis pelo povo de Deus daquela época e também porque a teologia que elaboraram, até hoje serve como base para a nossa Igreja. As obras que produziram foram escritas em grego e latim, embora hajam também muitos escritos doutrinários em aramaico e outras línguas orientais.

Do século II até o século IV, nomes como o de Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, Inácio de Antioquia, Policarpo, Justino o mártir, Irineu de Lião, Origines, Tertuliano e outros, que foram os responsáveis por transmitir os ensinamentos bíblicos, merecem reconhecimento por sua fé, virtude e o zelo pela Igreja. Entretanto, devemos lembrar que mesmo homens como esses não ficaram isentos de erros e até mesmo foram considerados como heréticos por algumas de suas idéias teológicas. Esse foi o caso de Origines, por exemplo, que teve muitos de seus ensinos condenados pelo II concílio de Constantinopla em 553.


A IMPORTÂNCIA DE VOLTAR OS OLHOS PARA O PASSADO

Assim como Orígenes e tantos outros, não estamos livres, hoje, de nos depararmos com idéias mirabolantes de líderes atuais. Em alguns segmentos evangélicos surgem “coisas” muito estranhas, sem nenhuma base bíblica ou respaldo na teologia bíblica ou ainda em conformidade com a prática consagrada pela Igreja, através dos tempos.

Por essa razão, daremos continuidade ao nosso Curso Bíblico Livre, voltando aos primórdios da igreja porque, conhecendo as suas origens, a sua história, podemos compreender melhor os caminhos do Senhor e com isso adquirir uma visão mais crítica da Igreja de hoje. Cícero, em sua lúcida afirmação disse: ”os que nada sabem sobre os dias que precederam o seu nascimento estão fadados a ser como crianças que vivem no presente, sem a valiosa sabedoria do passado.”

Aquele que despreza o passado corre o serio risco de cometer os erros que levaram a grandes catástrofes no mundo, como o nazismo ou como o que está sendo noticiado sobre um grupo de russos, que estão hoje, 28/11/2007, refugiados em uma caverna com temperatura abaixo de zero, inclusive com crianças. Estão aguardando o fim do mundo que está marcado, segundo eles, para maio/2008.

A nossa igreja tem quase 2000 anos, considerando o seu inicio no princípio do ministério do Senhor, aos 27 anos e, segundo o Bruce L. Shelley, em seu livro História do Cristianismo, [2] “muitos cristãos, hoje em dia, sofrem de amnésia histórica. O período entre os apóstolos e os dias atuais se transformou em uma grande lacuna”.

Lemos em nossa bíblia as passagens de Ex. 13.8,16 e 16.33, sem dar conta de que as orientações de Deus a Moisés de preservação de sinas da atuação d´Ele no passado, para as gerações futuras, dizem respeito a nós também.

Encontramos hoje, multidões de cristãos ignorantes acerca da história cristã e, portanto, vulneráveis aos apelos de fim do mundo, de enriquecimento fácil e tantos benefícios matérias à sua disposição, se forem fiéis. Muitos líderes se arvoram como detentores dos oráculos divinos; que se apresentam como possuidores de uma linha direta com os céus, pregando que a sua forma de ver e se portar é a única capaz de conduzir o fiel a uma vida regalada aqui na terra e nos céus. Para esses, basta uma leitura ao texto de Hb 11:35-38 ou se lembrarem do fim que tiveram quase a totalidade dos apóstolos - martirizados pelos romanos ou pelos próprios judeus. A mensagem que a Bíblia nos traz não é de riqueza material e nem de posição social, mas de vida vitoriosa no espírito, de riquezas espirituais e uma vida eterna no porvir.

Somos forasteiros em terra estranha. Não somos desse mundo, mas estamos aqui de passagem para uma vida eterna. Então, tudo o que diz respeito aos valores dessa vida, não pode prender a nossa atenção e nos trazer esperança. A nossa esperança está nos céus; está no Senhor; está além do que conseguimos enxergar. 

Por essa razão, achamos por bem, nessas primeiras lições, trazer à lembrança alguns dos mais importantes acontecimentos da história da fé cristã. Evidentemente que não encerraremos com a nossa narrativa, os fatos mais marcantes na visão particular de um ou outro participante do Curso Bíblico Livre, mas nos esforçaremos por trazer aqueles que julgamos ser mais pertinentes.


UM BREVE HISTÓRICO

O conhecimento do Evangelho e as experiências passadas oralmente, no qual se apoiava a fé cristã nos primórdios do cristianismo, era um saber de salvação, revelado, não apoiado por uma filosofia da moda. Era baseado no compartilhar da prática diária e na luta contra o paganismo greco-romano e contra as heresias surgidas entre os próprios cristãos. Com o passar do tempo, no entanto, os pais da igreja se viram obrigados a recorrer da filosofia grega clássica, e por meio dela procuraram dar consistência lógica à doutrina cristã.
Não é de se estranhar que os primeiros escritos patrísticos falavam de martírios, como “A paixão de Perpétua e Felicidade”, escrito no início do 3º sec. Eram escritos [i]apologéticos, destinados a alcançar um público menos hostil e iletrado. Esse escrito descreve o período em que sua autora, a nobre Perpétua, aguardava execução por se recusar a renegar a fé cristã.

[3] “Em meados do século II, os cristãos passaram a escrever para justificar sua obediência ao Império Romano e combater as idéias [ii]gnósticas, que consideravam heréticas. Os principais autores desse período foram Justino Mártir, professor cristão condenado à morte em Roma por volta do ano 165; Taciano, inimigo da filosofia; Atenágoras; e Teófilo de Antioquia. Entre os gnósticos, destacaram-se Marcião, que rejeitava o judaísmo e considerava [iii]antitéticos o Antigo e o Novo Testamento”.

[4] “No século III floresceram Orígenes, que elaborou o primeiro tratado coerente sobre as principais doutrinas da teologia cristã e escreveu Contra Celsum e Sobre os princípios; Clemente de Alexandria, que em sua Stromata expôs a tese segundo a qual a filosofia era boa porque era consentida por Deus; e Tertuliano de Cartago”.

A partir do Concílio de Nicéia, realizado no ano 325, o cristianismo deixou de ser a crença de uma minoria perseguida, para se transformar em religião oficial do Império Romano. Nesse período, o principal autor foi Eusébio de Cesaréia. Dentre os últimos gregos destacaram-se, no século IV, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa e João Damasceno.

Os maiores nomes da patrística latina foram Ambrósio, Jerônimo (tradutor da Bíblia para o latim) e Agostinho, este considerado o mais importante filósofo em toda a patrística (veja detalhes sobre Agostinho no final, pag 8 e 9). Além de sistematizar as doutrinas fundamentais do cristianismo, desenvolveu as teses que constituíram a base da filosofia cristã durante muitos séculos. Os principais temas que abordou foram as relações entre a fé e a razão, a natureza do conhecimento, o conceito de Deus e da criação do mundo, a questão do mal e a filosofia da história.


DIVISÃO DOS PERÍODOS DE ATUAÇÃO DOS PAIS DA IGREJA

Podemos dividir os “Pais da Igreja” em três ou quatro grandes grupos, dependendo da visão da cada autor. A nós, pareceu-nos melhor, considerar quatro grupos, até o início da 1ª metade do 5º século, dividindo-os por períodos de cerca de 100 anos, em cada século de história da Igreja.

É preciso levar em conta que muitos dos nomes que figuram em um dos grupos podem se enquadrar em mais de um deles, de acordo com a literatura que produziram para a edificação e defesa do Cristianismo, e também de acordo com o que as circunstancias exigiam.

Sendo assim, então, temos:

 
I Século - (95 e 150 d.C.) - Pais apostólicos ou Ante-Nicenos

Os pais apostólicos foram aqueles que tiveram relação mais ou menos direta com os apóstolos e escreveram para a edificação da Igreja, geralmente entre o primeiro e segundo século. Os mais importantes destes foram, Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Papias, Policarpo e Pastor de Hermas.

Tiveram como tarefas principais: edificação e fortalecimento dos crentes na fé.

Pais de maior destaque:

Caixa de texto: ·           Clemente de Roma
·           Papias de Hierápolis 
·           Inácio de Antioquia 
·           Policarpo d
Caixa de texto: ·           Tertuliano de Cartago 
·           Clemente de Alexandria 
·           Cipriano de Cartago (São Cipriano) 
·           Hipólito de Roma 
·           Minúcio Félix 
 
Caixa de texto: ·           Aristides de Atenas 
·           Justino 
·           Atenágoras de Atenas 
·           Ireneu de Lyon (ou Lião) 
·           Teófilo de Antioquia 
·           Orígenes de Alexandria 
 

 

 

 


Dos relacionados acima, estes foram os de maior proeminência:

Clemente de Roma – (30 a 100 d.C.) (Edificação da Igreja)
Ele escreveu uma epístola aos cristãos da igreja de Corinto quando se revoltaram contra os presbíteros, por volta do ano 95. Na epístola, Clemente os exorta a obedecerem seus presbíteros e acabarem com os problemas que criaram.  Nessa carta, Clemente faz cerca de 150 citações do VT e inúmeras outras citações de Paulo, o apóstolo.

Entre os escritos dos pais da Igreja, essa carta é considerada a mais antiga, depois dos livros do NT.

Inácio – ( I e II sec. d.C.)
Bispo de Antioquia, na Síria, foi levado preso para Roma por causa do seu testemunho cristão. Lá o levaram para os “Jogos Imperiais” para ser devorado pelas feras. Em sua longa viagem a caminho de Roma escreveu cartas às igrejas agradecendo a sua bondade e, especialmente, à igreja de Roma, pede para que não interfiram no seu martírio. Também alerta as igrejas quanto às heresias gnósticas e [iv]docéticas, as quais combateu. 

Policarpo - (70 a 155 d.C.)
Foi discípulo de Joao e bispo de Esmirna. Em 110 escreveu uma carta em resposta aos filipenses, repetindo muitas informações recebidas pelos apóstolos , principalmente de João, se tornando uma testemunha valiosa da igreja primitiva do 2º sec. Policarpo compilou e preservou as epístolas de Inácio. Foi martirizado em 155, apunhalado até a morte e queimado em uma estaca, porque se negou a falar mal de Cristo diante do Proconsul romano.

Hermas - ( I e II sec. d.C.)
Era chamado de Pastor de Hermas e escreveu sobre visões e parábolas. Foi contemporâneo de Clemente de Roma. Autor de "O Pastor", um livro escrito entre
88 e 97 d.C. em Patmos, perto de Éfeso. Este foi aceito e muito usado pelos primeiros cristãos, que consideravam Hermas como um profeta. [5]“Perto do final do século II d.C. ele era aceito como parte do N. T. por Clemente de Alexandria; Orígenes também o aceitou como um livro sagrado e por isso foi incluído no fim do "[v]Codex Sinaiticus", em uso nos meados do século IV d.C”.
 

II Século - (120 – 220 d.C.) - Apologistas ou Nicenos - (Em defesa da fé)

Foram aqueles que empregaram todas suas habilidades literárias em defesa do Cristianismo perante a perseguição do Estado, contrapondo as falsas acusações que os primitivos cristãos sofriam, pois eram comumente chamados de ateus, canibais, praticantes de incesto, preguiçosos e práticas anti-sociais.

Como uma boa defesa vem em forma de ataque, eles também procuravam demonstrar que o judaísmo, as religiões pagãs e o culto do Estado eram loucos e malévolos.

[6]"Seus escritos, conhecidos como apologias, fizeram um apelo racional aos líderes pagãos e procuraram criar uma interpretação inteligente do cristianismo e, assim, revogar os dispositivos legais contra as práticas cristãs. Um dos maiores argumentos era de que, já que as falsas acusações não poderiam ser provadas, os cristãos deviam ser tolerados pelo governo e protegido pelo estado Romano”.

Geralmente este grupo se situa no segundo século e os mais proeminentes entre eles foram:

Aristides de Atenas
Por volta do ano 140 enviou uma apologia (defesa) ao Imperador Antônio Pio, comparando as formas dos cultos dos cristãos e a dos povos pagãos e judeus, na tentativa de provar a superioridade da forma cristã de cultuar, apontando também os costumes e a ética dos primeiros cristãos.

Justino Mártir de Siquém

Foi considerado o principal mártir do sec. II. Abriu uma escola cristã em Roma. Também escreveu uma apologia ao Imperador Antônio Pio e uma segunda ao Senado e ao povo romano, onde exorta os imperadores a examinarem as acusações contra os cristãos.


Tertuliano
Foi o principal apologista da Igreja Ocidental. Era um romano erudito e desenvolvedor de uma sólida teologia ocidental, refutando as falsas forças filosóficas e pagãs que se opunham ao cristianismo. Em uma de suas obras (Apologeticum) afirma que o Estado persegue a Igreja, baseado em valores equivocados, uma vez que os ajuntamento destes, suas doutrinas e a moral dos cristãos são superiores aos seus vizinhos pagãos.

Existiram ainda outros também importantes como Aristides, Atenágoras, Quadrato Taciano – Discipulo de Justino, Teófilo, bispo de Antioquia, Melito, bispo de Sardes, Hegesipo – Judeu convertido que culpava o judaísmo por todas as heresias.

As apologias (defesas) que foram escritas são de grande valor para nós cristãos, pois lançaram os fundamentos do pensamento cristão, em meados do sec. II.

 

III Século - (180 – 250 d.C.) - Polemistas - (Contra as falsas doutrinas)


Geralmente, situados no terceiro século, os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das falsas doutrinas surgidas fora e dentro da Igreja.

Empenhavam-se por responder aos ensinos dos heréticos, condenando veementemente esses ensinos e seus mestres.

Ao contrário dos apologistas, serviam-se mais do N.T. como fonte da doutrina cristã. Procuravam condenar pela força do argumento, os falsos ensinos a que se propunham os heréticos.

Os mais destacados entre eles foram:

Irineu (130 – 200 d.C.) (Polemista Anti-gnóstico)

Foi bispo de Gália em 180. Era missionário bem-sucedido e desenvolveu seus escritos contra o gnosticismo.

Clemente de Alexandria (155 – 225 d.C.)

Nasceu em Atenas e estudou filosofia com muitos mestres, antes de iniciar seus estudos com Panteno, diretor da escola catequética de Alexandria. Antes de 190 já dirigia essa escola com seu mestre Panteno.

Para Clemente, toda a verdade pertence a Deus e tudo o que houvesse de verdadeiro na sabedoria grega, deveria der empregado no serviço de Deus.


Orígenes (185 – 254 d.C.)

Aluno de Clemente, foi seu sucessor na Escola aos 18 anos. Segundo uma estimativa, Origenes foi autor de 6000 pergaminhos. Levou uma vida ascética simples. Sua maior contribuição à literatura cristã, provavelmente tenha sido “De Principiis”, escrita em 230. Foi o primeiro tratado cristão de Teologia Sistemática.

Pesa contra ele o fato dele crer que Cristo foi “eternamente gerado” pelo Pai e subordinado a ele. Sustentou também a preexistência da alma, a restauração final de todos os espíritos e a morte de Cristo, um resgate pago a Satanás.


Tertuliano – (160 – 220)

Exortava a santidade da mulher, no vestuário e adorno, propondo que os cristãos deveriam se separar dos divertimentos; idéias como conseqüência do Puritanismo, que era adepto.

Sua maior contribuição foi a de estabelecer a doutrina teológica da Trindade, fazendo uso desse termo para defendê-la. 


Cipriano (200 - 258)

Foi aluno de Tertuliano e bispo de Cartago.  [7]“opôs-se às reivindicações de Estevão, bispo de Roma, de superioridade sobre todos os bispos”. 

Foi martirizado em 258, durante o governo do Imperador Valeriano, antes, porém, publicou a sua obra mais importante: A Unidade da Igreja.


Poderíamos citar ainda muitos outros cristãos que tiveram o seu ministério no 3º sec., tais como:


- Hipólito – 170 – 236 – Atuou em Roma e foi aluno de Irineu. Opôs-se ao Bispo de Roma de sua época.  Morreu no exílio na Sardenha.

- Júlio Africano – 160 – 240 – Foi pesquisador e aluno de Orígenes. Sua pesquisa histórica abrangeu o período desde a criação até 221 d. C.

- Gregório Taumaturgo – 213 – 270 – Converteu-se sob a influência de Orígenes, sendo seu aluno. Foi Bispo da Neocesaréia, conhecido como “Operador de Milagres”.

 

IV Século – (325 – 460) - Os Teólogos Científicos ou Pós-Nicenos


São assim chamados por terem atuado no período entre os Concílios de Nicéia (325) e de Calcedônia (451).

Objetivo: Aplicar métodos científicos na interpretação bíblica.


Entre os anos de 313 e 451 surgiram uma série de controvérsias teológicas, que geraram sérios conflitos.
Esses conflitos foram os grandes responsáveis pelos credos do protestantismo, que vamos ver mais tarde, no nosso curso.

Uma das grandes controvérsias foi criada por Ário. Ele afirmava que Jesus era um semi-deus, criado por Deus e não podia salvar o homem, por ser menor do que Deus.

A solução para as controvérsias, na tentativa de se adotar uma linguagem teológica comum, no que diz respeito à interpretação bíblica, foi o estabelecimento dos principais doutrinas [vi](dogmas) da Igreja cristã.  

O Imperador Constantino, com o objetivo de tentar unificar o seu império, estimulou a Igreja a definir as suas doutrinas, afim de se tornar o [8]“cimento capaz de manter unido o corpo político”. A Igreja adota, então os Concílios Ecumênicos ou Universais, como forma de se definir o que ela crê, no que se refere à teologia, resolvendo as diferenças de interpretação do texto sagrado.


Foram, então, realizados 7 Concílios Ecumênicos, representando a Igreja Cristã toda, convocado e presidido pelo Imperador romano, com a participação dos líderes da Igreja de todas as partes do Império.


NOTA: Não pretendemos descrever aqui os dados sobre os Concílios Ecumênicos, por ser documentação farta e que somente interessaria a poucos. Oportunamente disponibilizaremos essas informações no site.


Os nomes que destacaremos aqui são considerados pela história da Igreja como os mais capazes. Eles procuraram estudar a Bíblia em bases mais científicas, com o objetivo de desenvolver uma teologia cristã.

Proeminentes:

No Ocidente - Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. No Oriente - Crisóstomo e Teodoro.

Em Alexandria - Atanásio, Basílio de Cesaréia e Cirilo.


Destacaremos aqui os do Ocidente:

 Jerônimo – (419 a 420)

http://tbn0.google.com/images?q=tbn:QIGUrHzzwAVp2M:http://www.ucp.br/orientacaoaoestudante/pastoral/doutores_da_igreja/imagens/sao_jeronimo.jpg Foi nascido em uma rica família da Dalmácia. Passou a maior parte da sua juventude em Roma estudando línguas e filosofia. Foi secretário do papa Dâmaso, viajante e peregrino. Preocupou-se em estudar a língua, ouvir teólogos, filósofos e entabular contato com judeus.
[9]“Apesar da história não relatar pormenores de sua conversão, se sabe que se batizou quando tinha entre dezenove e vinte anos. Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação de 20 anos pelo Império.

Sua viagem iniciou pela Gália, onde estudou Teologia por alguns anos, aperfeiçoou o grego e adotou a vida monástica. Voltando para Aquiléia esteve durante três anos trabalhando com o Bispo Valeriano. Em 375, Jerônimo partiu para Antioquia da Síria, onde aprendeu o hebraico e estudou intensivamente as Escrituras. Depois de dois anos foi ordenado a padre pelo Bispo Paulino”

Duas foram suas preocupações: a vida monástica, que estimulou em toda parte, construindo e governando quatro mosteiros, e o estudo da Sagrada Escritura. Em 386 fixa residência em Belém, onde permaneceu até a morte.

Ali completa sua obra principal: a revisão do texto latino e depois a tradução de todo o Antigo Testamento, confrontando-o com outras versões e o original hebraico. Desde o século XIII, sua tradução Latina é conhecida como "Vulgata".

[10]“Jerônimo foi cuidadoso na busca de suas informações e procurou usar as versões mais antigas e manuscritos bíblicos já não existentes. Trabalhando sobre o princípio que o texto original da Bíblia estava livre de erros, ele começou um estudo profundo dos manuscritos juntamente com a Septuaginta, a fim de determinar, entre muitos outros, que texto poderia se considerar como original e verdadeiro.

Entre os anos 386 e 390, ele completou a tradução, bem como os comentários do Novo Testamento. Entre os anos 390 e 398, ele escreveu muitas obras e comentários que são usados até o dia de hoje; traduziu escritos de outros eruditos para o Latim e atualizou a obra de Eusébio de Cesaréia, "História Eclesiástica", incluindo os eventos ocorridos na Igreja entre os anos 325 e 378.

A partir do ano 398 até 405, Jerônimo terminou o seu grande projeto, a tradução completa em Latim do Antigo Testamento Hebraico. Esta versão da Bíblia tem sido amplamente usada pela Igreja Ocidental e tem sido, até recentemente, a única Bíblia oficial da Igreja Católica Romana desde o Concílio de Trento. Seu amor pela vida ascética fez dele um propagador do [vii]ascetismo, chegando no final de sua vida, entre os anos 405 e 420, ao extremo da abstinência da alimentação normal, do trabalho e do casamento”.

Ambrósio (340 a 397)

 Ambrósio de Milão nasceu em 340 e viveu até 397. Seu primeiro cuidado como bispo foi despojar-se de todas as suas propriedades, doando seus bens aos pobres e à Igreja. Exortava os ministros que http://tbn0.google.com/images?q=tbn:l2ZYV5AUoyT9AM:http://www.marcelline.org/sito-istituto/immagini-comuni/santambrogio.jpgserviam sob sua coordenação, sobre seus deveres quanto à prédica e o estudo das Escrituras.

[11]Ambrósio foi sobretudo, um pastor. Viveu cercado pela multidão dos pobres, embora sendo difícil falar com ele. Seu prazer era o de comentar as Escrituras, os Evangelhos. Foi um catequista nato e orador de qualidade, pois chegou a convencer o próprio Agostinho. Preocupado com a participação dos fiéis na liturgia, introduz em Milão o canto alternado dos salmos, escreveu hinos, compôs melodias populares, sempre inspirado no Oriente.

Destacou-se pela sua ação social, numa capital de pouco ricos e muitos pobres. Denunciou os excessos da propriedade: "Não são os seus bens que distribuem aos pobres, são apenas os bens de Deus que vocês destinam. O que fazem, é usurpar só para uso pessoal, o que é dado a todos é para ser utilizado por todos".

Ambrósio defendia a liberdade da Igreja frente ao Estado, não tendo medo de chamar o imperador à obediência. O grande Teodósio tinha mandado massacrar sete mil pessoas em Tessalônica, por pura vingança.
Ao querer entrar na Igreja, Ambrósio o excomunga e manda para a rua: que fizesse primeiro penitência! Dias depois, o imperador mais poderoso da terra entra na igreja vestido de penitente, pedindo que Ambrósio o recebesse!”

Agostinho (354 a 430) http://www.guia.heu.nom.br/images/agostinho.jpg

[12]“Filósofo e Teólogo de Hipona, norte da África. Polemista capaz, pregador de talento, administrador episcopal competente, teólogo notável, ele criou uma filosofia cristã da história, que continua válida até hoje em sua essência.Vivendo num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o clássico e o novo medieval”.

[13]“Nascido em 354 em Tagaste (na atual Argélia), torna-se a mais influente personalidade do ocidente cristão. Agostinho é poeta, filósofo, teólogo, pastor, místico e santo. Síntese de toda a sabedoria da Antiguidade, Agostinho marcou indelevelmente a Igreja ocidental, a ponto de não haver campo na vida cristã que não tivesse recebido sua influência. De rara inteligência, foi a maior preocupação para sua mãe que queria protegê-lo e conservá-lo na fé crista.

Agostinho era vivo, emotivo, excessivamente sensível, aluno indisciplinado, muito seguro de si. Ao ir para estudar em Cartago, se envolve com os jovens e suas farras. Neste período teve o filho Adeodato. Inteligência orgulhosa, vê o Cristianismo como "história da Carochinha", e cai no viiManiqueísmo, religião originada na Pérsia.

Mas, algo arde nele: a sede da verdade, pois sentia a angustia de uma vida sem sentido. É um peregrino da verdade. Vai para Roma, acompanhado pela cuidadosa mãe. Já professor famoso, mas ainda insatisfeito, vai para Milão. Ali Deus o pescou com sua rede. Através da escuta dos sermões de Santo Ambrósio, encontra a Verdade.
Aos prantos, pediu o Batismo e decide voltar à áfrica. Depois chorando, confessou: "Amei-te tarde, ó beleza, tão antiga e tão nova, amei-te tarde demais. Ah! Estavas dentro de mim; o caso, porém, é que eu estava fora... Tocaste-me, e fiquei inflamado da paz que tu dás".

No porto de Roma, infelizmente, morre sua mãe, Mônica. Chegando em Hipona, quer dedicar-se à contemplação, mas é logo escolhido para bispo desta cidade, tomando-se chefe do episcopado africano. Passou a viver com seus padres em vida monástica.

Sua vida de pastor não é tranqüila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá catequese, administra os bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro, dívidas, brigas de família, ...), atende os pobres e órfãos, enfim, uma vida consumida pelo zelo pastoral.

Apesar disso tudo, deixou 113 obras e 225 cartas. Envolveu-se em todas as controvérsias da África e do mundo cristão. Sua mais conhecida obra, as "Confissões", são um relato sincero e humilde de sua vida.

Agostinho é o Doutor da Graça. Salva assim a Igreja ocidental do [viii]Pelagianismo, afirmando que a salvação é fruto da graça, da encarnação e da redenção. Ele sentiu isso na pele: era um pecador orgulhoso e Deus o alcançou: pura graça, puro amor!”

Suas Obras:

[14]“Agostinho é apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas.
Mais importantes:

Confissões, obra autobiográfica de sua vida antes e depois de sua conversão;

Contra Acadêmicos, obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a verdade completa através do estudo filosófico e que a certeza somente vem pela revelação na Bíblia;

De Doctrina Christiana, obra exegética mais importante que escreveu, onde figuram as suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da interpretação. Nela desenvolve o grande princípio da analogia da fé;

De Trinitate, tratado teológico sobre a Trindade;

De Civitate Dei, obra apologética conhecida como Cidade de Deus. Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto 28 de 410, os romanos creditaram este desastre ao fato de terem abandonado a velha religião clássica romana e adotado o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta acusação a pedido de seu amigo Marcelino.

Agostinho escreveu também muitas obras polêmicas para defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos [ix]maniqueus, dos donatistas e, principalmente, dos vpelagianos. Também escreveu obras práticas e pastorais, além de muitas cartas, que tratam de problemas práticos que um administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do seu ministério.

A formulação de uma interpretação cristã da história deve ser tida como uma das contribuições permanentes deixadas por este grande erudito cristão. Nem os historiadores gregos ou romanos foram capazes de compreender tão universalmente a história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual sobre o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação. Esta e outras inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja através do negro meio-milênio anterior ao ano 1000.

Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor das idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado original e atual através da graça de Deus, que é adquirida unicamente pela fé. Sua insistência na consideração do sentido inteiro da Bíblia, na interpretação de uma parte da Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro para a Igreja”.

Seus últimos meses de vida

[15]“Durante os últimos meses de vida, os vândalos tomaram a cidade fortificada de Hipona por mar e terra. Eles haviam destruído as cidades do Império Romano no norte da África e as evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres e refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma exceção. No final de sua vida, ele foi submetido a uma enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que ficasse só, a fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano depois da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram toda a cidade, mas felizmente, a biblioteca de Agostinho foi salva, e seus escritos se perpetuam em nosso meio até a nossa era”.

__________________________

Na próxima lição vamos estudar sobre as dificuldades da Igreja primitiva: perseguições e principais heresias surgidas no 2º e 3º séculos. A luta da Igreja para manter a pureza da fé e, ao mesmo tempo, combater as tentativas de sua destruição pelo Estado romano.

 

Que o Senhor te abençoe e te guarde!

 

Até a próxima lição!

 

[1] Wikipédia, a enciclopédia livre em: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Evangelista

 [2] Shirley, Bruce L., História do Cristianismo ao Alcance de todos, São Paulo, Shedd Publicações, 2004, 572p

[3] Estudos Bíblicos em : http://www.cacp.org.br

[4] Id : http://www.cacp.org.br

[5] Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Sinaiticus

[6] Ibidem 2 Pag 85

[7] Ibidem – O Cristianismo Através dos Séculos.

[8] Ibidem – O Cristianismo Através dos Séculos.

[9] http://www.sepoangol.org/biogra-p.htm

[10] idem

[12] http://www.sepoangol.org/biogra-p.htm

[14] http://www.sepoangol.org/biogra-p.htm

[15] http://www.sepoangol.org/biogra-p.htm

 

NOTAS:

[i] Apologéticos – Apologia vem do grego e significa defesa, justificação. Não é criticar a religião dos outros, menosprezar as demais crenças ou declarar guerra aos demais credos. Dentro do contexto evangélico-eclesiástico, é a habilidade de responder com provas adequadas e sólidas a fé cristã perante as demais religiões.

[ii]  Gnosticismo – Ensinavam, entre outras heresias, que o conhecimento era o caminho para a salvação e que Jesus não veio em carne.

[iii]  Antitético – É a oposição de duas coisas, assim, pares antitéticos são dois elementos que, apesar de contrários, são utilizados juntos para completar uma mesma idéia.

[iv] Docetistas – Diziam que o corpo de Cristo era livre de qualquer contaminação da matéria e que foi um fantasma dele que sofreu na cruz.

[v]  Codex Sinaiticus É um dos mais importantes manuscritos gregos já descobertos, pois além de ser um dos mais antigos (século IV), e o único codex que contém o Novo Testamento inteiro. Atualmente acha-se no Museu Britânico.

[vi] Dogma – A palavra dogma derivou do verbo em latim dokeo, que significa pensar, podendo, então, ser traduzida como pensamento doutrinário da Igreja, no desejo de encontrar a interpretação correta da Bíblia.

[vii] AscetismoÉ uma filosofia de vida na qual são refreados os prazeres da vida. Acreditam que a purificação do corpo ajuda a purificação da alma, e a obter a compreensão de uma divindade ou encontrar a paz interior. Defendem que essas restrições auto-impostas trazem grande liberdade em varias áreas de suas vidas, tais como aumento das habilidades de pensar limpidamente e resistir potencialmente a impulsos destrutivos.

[viii] Pelagianismo – Sustenta basicamente que todo homem nasce moralmente neutro, e que é capaz, por si mesmo, sem qualquer influência externa, de converter-se a Deus e obedecer à sua vontade, quando assim o deseje.

[ix] Maniqueus – Possui uma visão dualista radical, segundo a qual o mundo está dividido em duas forças: o Bem (luz) e o Mal (trevas) como entidades antagônicas em perpétua luz. O Reino da Luz e o Reino das Trevas estão em permanente conflito. É dever de cada ser humano entregar-se a esse eterno combate para extinguir em si e nos outros a presença das Trevas afim de poder alcançar o Reino da Luz, que é o Reino de Deus. No maniqueísmo, os homens "eleitos" irão purificar o Bem, com uma vida de castidade, renúncia a família, alimentação especial, etc.
 

Emilson Damasceno
Responsável pelo curso

NOTA: Todo o material encaminhado estará disponibilizado aqui no site

"O Senhor te abençoe e te guarde e renove as suas misericórdias sobre sua vida e todos os seus, a cada novo amanhecer."