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Em uma carta publicada na revista British
Medical Journal da última semana médicos da Universidade de
Bristol, na Inglaterra, liderados pela Dra. Mary Shaw, procuraram
medir quanto tempo de vida se perde ao fumar um único cigarro.
Para chegar a esta conclusão os autores que avaliaram causas de
mortalidade conhecidas relacionadas ao tabagismo, e qual a
possibilidade do fumante o atingir as diferentes idades. O cálculo
feito foi somente para o sexo masculino e baseou-se na diferença da
expectativa de vida entre e fumantes e não fumantes.
Tomando como fonte dos dados um estudo de Doll e colaboradores, que
analisaram uma população de 34.000 médicos durante um período de
40 anos, os autores calcularam que se um homem fuma uma média de
5772 cigarros por ano, iniciando na idade de 17 anos e até a sua
morte com 71 anos, ele irá consumir um total de 311.688 cigarros
durante toda sua vida.
Se assumirmos que cada cigarro contribua de algum modo para sua
morte, cada cigarro custou a este homem, na média, 11 minutos de
vida. Este cálculo é feito uma vez que se sabe que o cigarro
diminuiu o tempo de vida médio de uma pessoa em seis anos e meio.
Os autores concluem que, apesar do cálculo ser bastante simples e
rude, o número obtido é importante para o mostrar o impacto de um
único cigarro na vida de uma pessoa.
Fonte: BMJ 2000;320:53 ( 1 January )
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| Médicos
Dizem Que o Vício da Nicotina Deve Ser Tratado Como Doença |
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O tabagismo deve ser tratado como uma forma de dependência de
drogas, com serviços e intervenções de apoio ao abandono do
tabagismo com a terapia de reposição de nicotina disponível
a todos os fumantes no Sistema Nacional de Saúde, de acordo
com um artigo publicado pelo Grupo Especializado em Tabaco da
Sociedade Real de Médicos em Londres.
O artigo pede uma atitude mais incisiva contra o tabagismo. Médicos,
outros profissionais de saúde e a sociedade "precisam
ver o vício da nicotina como um problema médico e social
importante" assim como o vício de certas drogas pesadas,
como cocaína e heroína.
A maioria dos fumantes não fuma por escolha, declara o
artigo, mas porque são viciados em nicotina. "Nós
precisamos que os profissionais de saúde e o público em
geral aceitem o tabagismo como uma doença que precisa ser
tratada assim como qualquer outra," comentou o Professor
John Britton, autor principal do artigo e professor de
medicina respiratória da Universidade de Nottingham. "Até
agora o fumo tem sido visto como atividade opcional."
O tratamento de reposição de nicotina é tão viável em
termos de custo como a maioria das intervenções médicas,
declara o artigo.
O artigo também cita a necessidade de pesquisas adicionais
sobre uso e segurança da terapia de reposição de nicotina
em mulheres grávidas, uma vez que um terço delas continua a
fumar durante a gravidez.
O tratamento de reposição de nicotina e outras intervenções,
como o antidepressivo bupropion, que estará disponível no
Reino Unido até o final deste ano, dobra a taxa de abandono
ao fumo.
A combinação destes métodos como suporte comportamental de
terapia de grupo pode elevar a taxa de abandono do vício a
mais de 35% por ano.
Mesmo que estes efeitos pareçam pequenos, a instituição
destes tratamentos pelo Serviço Nacional de Saúde poderia
"possibilitar retorno substancial em termo do número de
pessoas que deixará de fumar," diz o artigo, porque o
tabagismo é muito comum.
O professor Britton pede a inclusão do tratamento de reposição
de nicotina e outras abordagens no programa de Saúde Pública
da Inglaterra, dizendo que esta via é eficiente em termos de
custo e que a importância deste problema justifica esta
abordagem.
Ele diz que o auxílio para o abandono do vício da nicotina
deveria ser encarado como outros vícios, incluindo cocaína e
álcool, e deve ser tratado com a mesma seriedade.
O fumo é o maior problema de saúde pública na Inglaterra e
o seu custo ao Serviço Nacional de Saúde é estimado em 1,5
bilhões de libras esterlinas a cada ano.
Fonte: BMJ 2000;320:397 ( 12 February )
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