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Os
microprocessadores
Um passo maior ainda foi
dado quando foi desenvolvida, em 1971, a tecnologia LSI (Large Scale
Integration), que permitiu a junção de vários circuitos integrados em
um só, dando origem aos microprocessadores. Os microprocessadores são
circuitos integrados que permitem ser programados a fim de que executem
uma determinada tarefa. A empresa americana Intel foi a responsável pela
criação dos primeiros microprocessadores, o 4004, que manipulava palavras
binárias de 4 bits (cada algarismo binário — cada "0" e cada "1"
presente em uma palavra binária — é chamado de bit, Binary
Digit. Ao conjunto de quatro bits damos o nome de Nibble.) e o
8008, no ano seguinte, que manipulava palavras binárias de 8 bits (Ao
conjunto de oito bits damos o nome de byte).
As revistas de eletrônica na época começaram a publicar projetos de
circuitos para estes microprocessadores e, de um destes projetos, surgiu o
primeiro microcomputador comercial, o Altair 8800, que era vendido sob a
forma de Kit.
A Intel lança em seguida o primeiro microprocessador "de verdade", o 8080.
Outra empresa, a Motorola, lança o microprocessador 6800, para concorrer
com a Intel. E, ao mesmo tempo, diversos outros fabricantes de circuitos
integrados começaram a desenvolver seus próprios microprocessadores, porém
adotando as mesmas características do 8080, ou seja, manipulação de
palavras binárias de 8 bits e acesso a até 64 KB de memória (memória é
o local de onde e para onde o microprocessador recolhe os dados a serem
processados ou já processados. Como este microprocessador manipula dados
de 8 em 8 bits, ou seja, de byte em byte, usamos a unidade byte (B) para
representar a capacidade de memória máxima. Kilo (K), que em decimal
representa 103, ou seja, 1000, em binário representa 210,
ou 1024. Dizer que um microprocessador acessa um máximo de 64 KB significa
dizer, portanto, que tal microprocessador pode acessar até 65536 lugares
diferentes para guardar ou buscar um dado de 8 bits). Entre as
empresas que criaram seus próprios microprocessadores estavam a National
Semiconductor, a Signestics, a Advanced Micro Devices e a MOS Technology.
A MOS Technology desenvolveu o microprocessador 6500, mas ele era tão
parecido com o 6800 que ele sofreu uma revisão e foi relançado como 6502.
Durante este período os microcomputadores eram desenvolvidos basicamente
por hobbystas e para hobbystas, pessoas fanáticas por eletrônica, como
forma de "brincarem" com os novos componentes que estavam sendo lançados
no mercado pelos fabricantes, como por exemplo o já citado Altair 8800.
Mas o presidente da canadense Commodore, Jack Tramiel, acreditava na
potencialidade comercial destas máquinas e de seu uso como hobby também
por pessoas não intimamente tão ligadas à eletrônica. Em 1976 a Commodore
fabricava somente máquinas de calcular e outros utensílios para escritório
e estava à beira da falência. Mas a crença de Jack Tramiel, principalmente
no microprocessador 6502, era maior. Ele chamou Chuck Peddle, que já havia
trabalhado anteriormente na MOS Technology e na Motorola (portanto ele era
um dos "pais" do 6800 e do 6502) para trabalhar num projeto de
microcomputador pessoal comercial para a Commodore. Assim foi criado e
lançado o primeiro microcomputador pessoal do mundo, o PET 2001 (Personal
Electronic Transactor), que justamente visava um público não-hobbista.
Logicamente, a Commodore saiu do buraco.
Um dos clubes de hobbistas que existia na época era o Homebrew Computer
Club, do qual faziam parte Steve Wozniak, que trabalhava na HP e Steve
Jobs, que trabalhava na Atari. Eles desenvolveram um microcomputador
baseado no microprocessador 6502, não pela sua versatilidade, mas sim
pelo preço. Em 1976 os microprocessadores mais versáteis, como o próprio
6800 e o 8080, custavam centenas de dólares, enquanto o 6502 custava
"somente" 20 dólares. Eles levaram o projeto à HP, que não se interessou.
Decididos, resolveram produzir eles mesmos o tal microcomputador, batizado
de Apple. O Apple foi criado para ser utilizado e vendido para hobbistas e
cerca de 175 foram vendidos, com um enorme sucesso no meio. Logo em
seguida, vendo que o caminho era este, eles projetaram o Apple II, desta
vez com uma visão real de mercado. O projeto estava pronto, eles só
precisavam do dinheiro. Eles venderam tudo o que tinham, se juntaram a
Mike Markkula, que entrou na sociedade porque tinha o dinheiro que eles
precisavam, e assim começou a grande história dos microcomputadores
pessoais. O Apple II foi o primeiro microcomputador pessoal com unidade de
disco flexível e projetado para atender tanto ao mercado pessoal como
profissional.
A Tandy, uma das grandes empresas norte-americanas do ramo da eletrônica,
também não queria ficar de fora. Vendo que a Apple e a Commodore cresciam
assustadoramente, começou a desenvolver o seu TRS-80 (Tandy Radio Shack).
A Tandy iria comercializar o seu TRS-80 pela sua cadeia de lojas de
produtos eletrônicos, a Radio Shack, se não a maior, uma das maiores redes
de lojas de produtos eletro-eletrônicos nos Estados Unidos até hoje. O TRS-80
era baseado em um novo microprocessador: o Z-80. O Z-80 é um
microprocessador desenvolvido pela Zilog, baseado no 8080 da Intel.
E foi criado, logicamente, o primeiro sistema operacional, um programa que
permitiria o acesso a unidades de disco magnético por parte dos
microcomputadores. Este sistema operacional, o CP/M (Control Program /
Microcomputers), criado por Gary Kildall através de sua empresa, a
Digital Research, foi escrito somente para microcomputadores baseados nos
microprocessadores 8080 e 8085, além de anunciar para breve o CP/M-86,
para microcomputadores baseados no microprocessador 8086 - todos da Intel;
e no microprocessador Z-80, da Zilog. A conseqüência direta disto foi a
adoção desta linha de microprocessadores por todos os fabricantes de
microcomputadores que queriam ter unidades de disco flexível em suas
máquinas. A Apple teve que, então, criar seu próprio sistema operacional
para o Apple II. Além de operar sistemas, os microcomputadores precisavam
de uma linguagem na qual as pessoas pudessem escrever seus programas. A
escolha mais lógica foi a linguagem BASIC. Bill Gates criou a Microsoft, e
desenvolveu um interpretador de BASIC em ROM para ser colocado em
microcomputadores.
A Sinclair, empresa do gênio inglês Sir Clive Sinclair, resolve entrar no
mercado do microcomputadores e em 1980 lança o primeiro microcomputador
barato: o ZX-80. Ele custava menos de 150 dólares, barato até mesmo para
os padrões de hoje (comparativamente, um sistema Apple II "completo"
custava na época algo em torno de 2.000 dólares). O ZX-80, baseado no
Z-80, no ano seguinte foi melhorado e lançado o ZX-81, que possuía apenas
4 circuitos integrados (um Z-80, uma EPROM, uma memória RAM e um Custom
Chip, que reunia todos os circuitos integrados "convencionais" que eram
utilizados no ZX-80)! Isto é que é integração de componentes ! Logo depois
foi lançado o ZX-Spectrum, com cores e sons, com mais memória e
possibilidade de conexão a micro-disk-drives. Por esta e por outras (como,
por exemplo, a invenção da TV de bolso), Sir Clive Sinclair ganhou o
título de Sir da Coroa Britânica.
Neste meio tempo em que a IBM ainda não havia se decidido a entrar no
mercado dos microcomputadores pessoais, a Apple lança diversos periféricos
para seu Apple II, como pranchetas gráficas, impressoras e outras centenas
de produtos. E o mercado de software cresce assustadoramente, tornando o
Apple II um dos micro com mais Softwares produzidos até hoje. Foi lançado
também a SoftCard, placa com um co-processador Z-80, para que o Apple II
pudesse ter acesso a todos os programas escritos sob o sistema operacional
CP/M. E o Apple II tornou-se um dos microcomputadores mais vendidos em
todo o mundo. A Apple lança também o Apple III, que não teve o menor
sucesso, mas lançou a unidade de disco rígido para microcomputadores
pessoais. Os modelos "campeões de venda" da Commodore foram lançados: O
VIC-20 e o Commodore 64, e a Tandy lançou os modelos II e III do seu TRS-80,
além do TRS-80 Color, que tinha cores e o Pocket, que era portátil. A
Atari resolveu entrar também no mercado dos microcomputadores pessoais com
o seu Atari 400 e depois o 800.
Neste mesmo período começou a haver um fato interessante, responsável pela
popularização dos microcomputadores por todo o mundo: Os Tigres Asiáticos.
O surgimento de clones, principalmente de Apple e TRS-80, produzidos no
extremo oriente (Taiwan, Singapura, Macao, Hong-Kong, etc.), popularizou a
venda mundial destes micros. Ainda não existia uma lei de patentes
internacional e tanto a Apple como a Tandy, no caso, divulgavam todos os
detalhes técnicos de suas máquinas. Por terem uma metodologia de fazer
máquinas "abertas", com componentes "baratos" que eram fabricados no
próprio extremo oriente, para uso nos Estados Unidos, pois a mão de obra
nos países do terceiro mundo é muito mais barata, tal fato acabava
influenciando diretamente no preço. Além disso, os Tigres Asiáticos não
cobravam por toda a pesquisa e desenvolvimento tecnológicos que consumiu
muito dinheiro ao longo dos anos dos fabricantes originais americanos, nem
pagavam royalties às empresas que criaram tais microcomputadores. Mas não
só os Tigres Asiáticos foram responsáveis por isto. Aqui mesmo no Brasil
tivemos um exemplo típico disto, em uma época de reserva de mercado e
falsa produção tecnológica nacional. Em 1984 existia no mercado cerca de
20 "similares" do Apple II: nomes como Craft II, AP-II, Elppa II, Maxxi,
Spectrum, Exato, etc. eram muito comuns.
A IBM, que inicialmente não teve interesse em microcomputadores pessoais —
ela preferia continuar produzindo computadores de médio e grande portes —
finalmente resolveu, em 1981, entrar nesse mercado, vendo que estava
crescendo assustadoramente e era a única que poderia desbancar a
supremacia da Apple, pois tinha nome, tecnologia e dinheiro. Mesmo assim o
direcionamento e a estratégia de marketing continuava em torno dos
computadores de grande porte. O que a IBM queria era colocar
microcomputadores pessoais na casa das pessoas de modo que na hora da
decisão da compra de um grande computador para empresas, a maioria das
pessoas associasse a idéia de computador à IBM, por já possuir um
microcomputador IBM em casa.
Persuadida pela Microsoft, a IBM decidiu utilizar a linha de
microprocessadores da Intel, encabeçada pelo 8086, em sua linha de
microcomputadores. O principal avanço do 8086 em relação ao 8080 era a
manipulação de números binários não mais de 8 bits, mas sim de 16 bits,
além da possibilidade de endereçamento direto a 1 MB de memória (Mega
(M), que em decimal representa 106, ou seja, 1.000.000, em
binário representa 220, ou 1.048.576). Não deu certo. Todos
os circuitos periféricos de apoio ao microprocessador estavam trabalhando
com o padrão de 8 bits. Imagine. Teria que ser criado todo um padrão por
causa de um novo microprocessador ? Isto significaria mais tempo de
projeto e, principalmente, que mais caro ele se tornaria. A IBM chegou a
usar o microprocessador 8086 depois em alguns modelos do seu PS/2 (Personal
System 2). A Intel acaba se convencendo do fracasso em tentar mudar o
padrão de 8 bits para 16 bits e lança o microprocessador 8088, que era
simplesmente o 8086 compatibilizado com o meio externo: o 8088 é
exatamente um 8086, trabalhando também com 16 bits, mas só internamente,
externamente ele manipula os 16 bits como dois blocos de oito bits
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